No isolamento, uma história de amor à leitura
A solidão é algo que poucas pessoas conseguem suportar. Por isso, as penitenciárias utilizam as celas de isolamento como forma de castigar aqueles detentos que cometem faltas disciplinares. No CDRL não é diferente. Dependendo da falta, o preso pode ficar até 30 dias isolado. Também ficam em celas individuais os que estão em fase de triagem ou são presos provisórios. Ao todo, são 96 cubículos de isolamento.
O que surpreende é a opção de alguns detentos pelas celas individuais. Mesmo sem qualquer problema disciplinar, eles solicitam a ''solitária''. Porém, quem vai para o isolamento ''a pedido'' tem direito a levar rádio e televisão para o cubículo e pode continuar participando das atividades da penitenciária.
Um dos ''isolados por conta própria'' é Marcos (nome fictício), 31 anos. Nascido em uma pequena cidade do interior do Paraná e criado na capital paulista, ele conta que saiu de casa aos 14 anos porque não se entendia com seu padrasto. Nas ruas, foi vender balas nos trens metropolitanos. Aos 18, depois de roubar iogurtes em um condomínio fechado, foi preso pela primeira vez.
Dali para frente sua vida foi marcada por indas e vindas de cadeias. Só no Estado de São Paulo passou por sete unidades diferentes. Em 1999, depois de fugir de uma colônia penal no interior de São Paulo, descobriu que sua família migrara para o Norte do Paraná. Resolveu vir atrás dos parentes.
Em 2001 foi preso pela última vez. Está condenado a 35 anos de cadeia. Articulado, de bom vocabulário, o rapaz que estudou até a quarta série do ensino fundamental admite que já causou muitos problemas, mas fala com emoção da mudança em sua vida quando tomou gosto pela leitura e passou a ver os livros como grandes amigos.
''Não gostei do primeiro livro que deram para eu ler, mas depois fui tomando gosto. A leitura mudou minha cabeça. Até parece clichê dizer isso, mas a única coisa que pode mudar alguém que está aqui dentro é a educação'', diz Marcos.
Recentemente, ao distribuir livros para os presos que estavam na galeria de isolamento, ele percebeu uma mudança no comportamento e no diálogo dos ''manos''. Esse fato o levou a se oferecer à chefia de segurança para desenvolver um projeto de leitura entre os detentos do isolamento. A idéia foi aprovada e logo o projeto deve começar a funcionar.(W.S.)





