No inverno, bom senso é a melhor receita
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quinta-feira, 26 de julho de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Não tomar friagem, evitar bebidas geladas nos dias de frio, proteger-se das correntes de ar depois de um banho quente, são conselhos que pelo menos uma vez na vida as mães dão aos filhos. Exageros à parte, vale a pena ouvi-las. Embora nada comprove cientificamente que o resfriamento do corpo cause resfriados, é fácil perceber que quando há mudanças bruscas na temperatura mais gente precisa recorrer aos consultórios médicos. Em outras palavras, as mudanças climáticas alteram a resposta local da faringe.
A pneumologista Liliane Shimizu lembra que a reação do organismo à temperatura externa depende muito da suscetibilidade de cada um, por isso ela recomenda bom-senso. ''Uns sofrem mais que os outros, por isso nem a neurose em relação ao clima e nem o descaso são recomendados'', diz a médica. Ela observa que em todas as receitas para gripes e resfriados entram chás e outras bebidas quentes porque eles não favorecem a tosse e aumentam a sensação de conforto. ''O gelado não vai deixar a pessoa mais doente, mas vai favorecer a tosse.''
A médica lembra ainda que em outros países, como os europeus, sorvetes à base de leite continuam a ser consumidos durante o inverno, mas por aqui o consumo cai muito nos dias frios. ''São hábitos que dificilmente são mudados'', observa. Liliane ressalta que embora favoreça os resfriados, a variação de temperatura não diminui a imunidade do organismo. ''A falta de imunidade está muito mais ligada ao estresse e à má alimentação, por exemplo.''
A realidade muda, porém, quando a pessoa tem asma ou rinite. No caso do asmático, o paciente pode desencadear um broncospasmo ao se expor ao frio. Da mesma forma, as rinites são agravadas nestas condições.
A pneumologista também alerta para o perigo do uso excessivo dos aquecedores de ambiente, que ressecam o ambiente e, portanto, exigem cuidado extra com a hidratação do organismo. ''Mais uma vez é preciso bom-senso. Assim como o ar-condicionado, os aquecedores não devem ser usados em excesso'', afirma.
Na hora de se vestir, lãs e veludos não são a única opção. O estilista Nélio Pinheiro lembra que já existem malhas fabricadas com alta tecnologia que imitam a lã tanto na aparência quanto na eficiência contra o frio. ''Há uma infinidade de composições, que levam acrílico e poliester, por exemplo, que dão uma aparência mais fina aos tecidos, mantendo a capacidade de aquecer. Já existem até tecidos que mudam de cor conforme a intensidade do calor'', explica o estilista.


