Além da demora tradicional, o INSS de Londrina está atrasando ainda mais o ingresso de pessoas para receber o benefício do LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) e, consequentemente, adiando o início do pagamento do benefício, de um salário mínimo.
A reclamação é de assistentes sociais que, ao encaminhar processos de quem se enquadra na legislação, se surpreenderam com o agendamento prévio feito na agência Shangri-Lá.
As assistentes sociais Maria Giselda de Lima e Maria Luca de Lima protocolaram denúncia contra o INSS na Promotoria dos Direitos e Garantias Constitucionais e na Procuradoria da Justiça Federal, em Londrina.
Depois de reclamar muito com a gerência, Maria Giselda de Lima conta que conseguiu que a agência recebesse o processo de José Claudino em maio em vez de deixar para julho.
Com 67 anos completados em março e com renda familiar de um quarto do salário mínimo, conforme prevê a legislação, José Claudino tem direito ao benefício. ‘‘Não quero resolver o caso dele. Há outras pessoas na mesma situação que precisam aguardar meses, em vez de serem atendidas prontamente’’, diz Giselda. Ela é funcionária municipal, mas tem orientado alguns processos como voluntária.
A assistente social da Casa do Bom Samaritano, Maria Lucas de Lima, recebeu dois tipos de atendimento no INSS. Em 24 de maio, ela levou ao INSS dois processos de moradores da Casa portadores de deficiência que os tornam incapazes para o trabalho.
Mas não conseguiu dar entrada nos documentos, que serão recebidos apenas em 23 de julho, conforme agendamento feito no INSS. Enquanto isso, ficam à espera do benefício Carlos Roberto Ferreira, 40 anos, e Severino Pereira da Silva, 47 anos.
Já em outro processo, de Mauro Lourenço, 45 anos, levado ao INSS em 28 de maio, Maria conseguiu protocolar em seguida. Se toda a documentação estiver correta, Mauro Lourenço pode começar a receber o benefício em 20 dias, quase dois meses antes dos colegas de moradia.
As assistentes sociais reclamam ainda que, desde que o INSS retirou o serviço social desse setor, os idosos não estão sendo bem atendidos. Os idosos recebem a papelada de um funcionário, sem a orientação sobre como preencher os documentos. ‘‘Não é tão simples. E se tiver informação incorreta correm o risco de não terem o pedido deferido’’, explica Giselda.
Outra queixa é com relação a ter que enfrentar filas apenas para esclarecer dúvidas. ‘‘Já cheguei a ficar três horas e meia na fila para perguntar se estava tudo correto com um processo que havia encaminhado. Falta um serviço de informação mais rápido.’’

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