No atendimento aos portadores de Síndrome de Down, o Paraná tem destaque. O Estado possui o único ambulatório que atua exclusivamente no tratamento da síndrome, se diferenciando de outros estabelecimentos existentes no País, que englobam outras enfermidades. É o Ambulatório de Síndrome de Down (ASD) que funciona dentro do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialistas voluntários.
Criado há um ano, comemorado no último dia 13 de maio, o ASD atende não só o portador de Down, como também a família. O setor oferece tratamento em todas as especialidades, que vão desde a estimulação precoce, desenvolvimento psicomotor, exames complementares e encaminhamentos para escolas. ‘‘Aqui eles recebem todo o atendimento, desde as necessidades básicas até as especiais’’, explica a enfermeira Darci Aparecida Martins, que faz parte da equipe que atua no ASD.
Ao todo são cinco os profissionais que mantêm as atividades do ASD. Uma pediatra, uma enfermeira, uma assistente social, uma nutricionista e uma psicóloga. Mulheres que reservam a tarde de toda terça-feira, para atender os pacientes sem receber pelo serviço. ‘‘Nosso trabalho é voluntário. Estamos aqui porque adoramos a causa’’, diz a assistente-social Noemia da Silva Cavalheiro, criadora do projeto do ASD, e que também preside a Associação Reviver Down, que já prestou auxílio a 600 portadores.
Em pouco mais de um ano de trabalho, 300 pacientes passaram pelo ASD, a maioria paranaense. Mas a fama do ambulatório já ultrapassou as fronteiras do Paraná e até do Brasil, atraindo pessoas de outros estados e de países vizinhos.
Por causa da falta de estrutura, a equipe auxília apenas portadores com até 16 anos. Mas o atendimento aos pacientes adultos continua sendo parte de um projeto que o ambulatório pretende colocar em prática.
Desde que foi criado, o ASD funciona num espaço emprestado, que às segundas, quartas, quintas e sextas-feiras atende pacientes com problemas neurológicos. Segundo Darci Martins, se o ambulatório tivesse uma sede própria, os serviços poderiam ser desenvolvidos todos os dias da semana, envolvendo um número maior de pacientes.
As atividades têm o apoio ainda da Associação Amigos do HC, que repassa recursos angariados da população. O dinheiro é usado na compra de materiais necessários em alguns exames e de vale-transporte, doado aos pais carentes que não têm condições de pagar o transporte para ir ao hospital nos dias de consulta. O apoio é importante para manter os pacientes integrados com a família.
O filme Oitavo Dia mostra a dificuldade de um portador da síndrome, depois da morte de sua mãe e da rejeição de sua irmã, amenizada pelos laços de amizade que surgem com um executivo. O homem, considerado normal diante dos padrões sociais, passa a rever seus valores e a transformar sua vida, a partir da convivência com o portador da Síndrome de Down. Os atores Pascal Duquenne, que tem Down, e Daniel Auteuil dividiram o prêmio de melhor ator em Cannes em 1996.(A.R.)

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