No escuro, procurou o neto
No escuro, procurou o neto
As horas seguintes ao acidente foram marcadas pelo terror e desespero. Os passageiros que não gritavam de dor, procuravam por parentes no escuro. Outros tentavam parar os carros que passavam pela BR-116, para pedir ajuda. Poucos se solidarizaram.
A parte esquerda do ônibus estava completamente destruída, lataria retorcida e cacos de vidro espalhados por toda a parte. Todo mundo gritava que era para sair do ônibus porque ele ia pegar fogo, contou a dona de casa Irma dos Santos da Silva, 42 anos. Era a coisa mais triste de ouvir. As pessoas gritando assustadas no escuro, lembrou.
Em meio ao caos, ela encontrou o neto desmaiado. Por um tempo, para Irma incontável, o menino pareceu estar morto. Eu me desesperei. Ele estava inconsciente e o sangue escorria pelas costas, contou a dona de casa. Com o impacto, o menino Darlan da Silva Martins Júnior, 5 anos, havia sido arremessado para longe. Eu procurava no escuro. Me assustei por causa do sangue, lembrou Irma. Para alívio da avó, que ia de Campinas passear em Porto Alegre, o menino voltou a si ainda na estrada. Ontem, Irma sentia dores na cabeça, por causa de uma pancada. O neto tinha sete pontos nas costas, provocados por cortes com vidro.
Sem ferimentos, a modista Edit Alves de Alves, 73 anos, a mais velha entre os passageiros do ônibus, foi internada por conta da pressão alta. No Hospital Angelina Caron, ela contou que há 28 anos viajava entre Porto Alegre e Campinas, cidades onde residem seus filhos.
Desta vez, Edit iria passar o Natal na casa um dos filhos em Porto Alegre. Por medo de acidente, ironicamente, a modista havia recusado uma passagem de avião oferecida por uma neta. Eu tenho medo de andar de avião (sic), revelou, surpresa com o acidente que sofreu.
Após o acidente, Edit foi levada de ônibus ao hospital, o que considerou bom. Assim eu perdi o medo, não vou ficar com trauma, afirmou. Para ela, não há como explicar o que aconteceu durante e após a tragédia. Não tem explicação. Que coisa horrível. A gente vê todo dia na TV, mas nunca acha que vai acontecer com a gente (J.A.)





