No escurinho do cinema, com o bebê
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sexta-feira, 31 de maio de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Depois do nascimento do bebê, todas as atenções da mamãe se voltam para o novo integrante da família. Com tantos cuidados e necessidades, é comum ela se esquecer de suas necessidades e ficar mais reclusa em casa. Alguns programas corriqueiros se tornam mais difíceis de serem feitos, afinal, não são todos os lugares que estão preparados para receber uma criança. Pensando na socialização e lazer dessas mães foi criado em São Paulo, em 2008, o CineMaterna, sessões de cinema voltadas para mães com seus bebês, que estreou em Londrina nesta semana.
Uma das fundadoras, Irene Nagashima, conta que a iniciativa surgiu em um grupo de mães na internet, todas com bebês e cansadas de ficar em casa. "Eu ia ao cinema duas vezes por semana e com uma bebê de cinco meses, não tinha como. Então nos unimos e invadimos o cinema com as crianças. Depois do filme ficamos conversando, foi ótimo", conta. Ela diz que durante seis meses fizeram a mesma coisa, até que criaram o CineMaterna. Aos poucos a iniciativa foi se espalhando pelo país e chegou a Londrina após convite da rede Cinesystem, no Londrina Norte Shopping.
O filme escolhido para a estreia foi "Somos Tão Jovens", que conta parte da biografia do cantor e compositor Renato Russo. Muitos bebês aproveitaram o escurinho do cinema para dormir, já outros se deslumbraram com o ambiente novo e deram um pouco de trabalho às mães, andando entre as poltronas e pelas escadas. Como era de se esperar, algumas crianças também choraram durante a exibição, mas nada que atrapalhasse os espectadores.
"Todo mundo aqui é mãe, pai e avô, portanto, está acostumado. Só pedimos que se o bebê chorar muito, a mamãe se ausente um pouco da sala, até para não acordar os outros", pediram as organizadoras no início. A sessão também é aberta ao público "comum", que é avisado sobre a presença dos bebês. "Tem gente que não se importa e alguns até preferem, como os idosos, por conta do som e do ar condicionado mais ameno", explica Taís Viana, outra fundadora do CineMaterna.
Ao fim da sessão, as mamães estavam radiantes. A médica Juliana Carvalho foi ao cinema com o pequeno João, de apenas cinco semanas. "É a terceira vez que saio de casa com ele, descontando as idas ao pediatra. Esta semana ele estava chorando, fiquei com medo dele dar trabalho, mas se comportou muito bem, ficou quietinho e dormiu bastante. Agora pretendo vir outras vezes", afirmou.
Michelle Toledo, mãe de Benjamin, de 10 meses, também ficou ansiosa pela próxima sessão. "Costumamos sair bastante com ele, mas é a primeira vez que venho ao cinema depois do parto. Ele chorou um pouquinho, precisei sair por uns minutos, mas ele ficou sossegado a maior parte do tempo. Essa é uma oportunidade para as mães se divertirem, trocarem experiências com outras mães e também para os bebês conhecerem outras crianças", destacou.
A professora Juliana Palma foi com a filha Cecília, de 1,2 ano e também gostou bastante da iniciativa, que conheceu pela internet. "Já acompanhava o CineMaterna e fiquei feliz de ter chegado a Londrina. Eu gosto muito de cinema, mas esta é a primeira vez que venho depois que ela nasceu. Achei que ela ia ficar assustada, mas Cecília adorou as músicas. Como está começando a andar, ela aproveitou bastante o tapete, brincou com outras crianças e também andou pelo cinema. Mesmo assim, consegui ver o filme, garantiu.
A estreia do CineMaterna também foi a primeira vez do casal Jorge Lopes e Júlia Ferreira no cinema depois do nascimento de Clara, de três meses. "Ele ainda foi sozinho, mas é a primeira vez que venho depois do parto. Achei bem legal esse projeto porque eu não iria em uma sessão normal com ela. Aqui temos o suporte, pretendo vir enquanto estiver de licença", explicou Júlia. Para Jorge, seria bom se fossem oferecidas sessões também aos finais de semana ou em horários um pouco mais tarde, para que mesmo voltando ao trabalho as mães possam continuar frequentando as sessões.
Taís explica que o projeto foi criado para as mães que ficam em casa sozinhas e por isso o horário sempre é durante a semana, à tarde. "À noite ou nos finais de semana ela geralmente tem a companhia do marido, dos familiares. Nossa intenção é que aquela mãe que esteja cansada de ficar em casa com a criança tenha uma opção de lazer. Muitas chegam e nem sabem qual é o filme, vêm só para sair de casa e encontrar as amigas", contou.


