''É som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado''. A musica funk é a trilha sonora da moçada que curte o domingo ensolarado no Igapó I, nas proximidades da barragem. A batida da música se mistura com o ronco dos carros e das motocicletas, mas quem está lá garante que o barulho não atrapalha em nada, só dá mais emoção para o lugar.
É justamente por causa do agito e da quantidade de jovens que frequentam o Igapó que a estudante de Cambé, Vivian Cristina Campos, 22 anos, vem para Londrina. Para ela, já virou hábito frequentar o lago aos domingos. ''Aqui é muito gostoso, tem muita gente, é bem legal. Sempre venho com amigos e adoro ficar vendo a galera escutando música nos carros'', comenta.
Tem gente passeando de cavalo, bebendo caldo de cana, tomando sorvete, refrigerante, coco gelado ou cerveja. Com o calor, para todo lado que se olha, alguém se refresca com alguma dessas opções, comercializadas aos montes por lá.
Os ambulantes adoram a movimentação. Seo Aguinélio Ferreira, morador da Vila Portuguesa, vende sorvetes, refrigerantes e cervejas há oito anos. A bicicleta improvisada facilita o transporte das caixas de isopôr, mas ele garante que vai construir um triciclo para facilitar ainda mais a comercialização.
''Até semana que vem estarei andando por aqui de triciclo. Domingo aqui é assim, super cheio. Mas tem tanto comerciante também que eu ainda não consegui acabar com meu estoque nenhum dia'', brinca.
Outras cena que marca o ambiente é a família se divertindo com as crianças, meninos brincando na água, casais de namorados e até senhoras pescando debaixo do sol forte. ''Eu venho a pé lá do jardim Franciscato. Adoro andar, me faz bem. Pesco aqui há dois anos, todos os domingos'', comenta feliz a dona de casa, Aparecida Euzélia, de 65 anos.
Mas a movimentação gera preocupação, principalmente por aqueles que estão por ali diariamente. O casal Claudinei Kaberlin e Elisabeth dos Santos Kaberlin, que vende caldo de cana há três anos em frente à barragem, afirma que a falta de segurança no local é comum.
''O Igapó é lindo, maravilhoso. Todos que vêm aqui adora, mas aqui tá abandonado, ninguém mais cuida. Não tem banheiro, não tem lixeira, não tem nem água pra quem tá com sede. Muitos pedem água pra nós. O transito então, nem se fala. Todo dia tem brigas por aqui'', reclama Kaberlin.
De acordo com o sub-tenente Saul de Lima Brenzink, chefe do socorro, durante o verão as viaturas circulam o local de uma em uma hora. Segundo ele, além da ronda diária, os soldados que vão até o local orientam as pessoas que estão nadando em pontos mais fundos do lago. ''Ali é um local proibido para banho. Não temos como manter uma viatura por lá o tempo todo. Principalmente nessa época de calor, esses atuam empenhados em atividades que exigem demais socorros'', finaliza.

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