No dia de visitas, famílias de detentos entram em pânico
Durante toda a manhã de ontem, familiares de presos e curiosos se aglomeraram em frente ao 3º Distrito Policial, acompanhando a movimentação dos policiais. Ontem seria dia de visitas aos presos. Vários parentes ficaram sabendo da rebelião ao chegar no DP. Lá foram informados de que não poderiam entrar.
Bastante nervosa, Nilsa Bras Monteiro conta que viajou de Curitiba para visitar o marido, João Lopes de Souza Neto, acusado de participar de um assalto. Cheguei hoje (ontem) de manhã e foi um susto quando fiquei sabendo da rebelião. Agora quero saber se ele está machucado, mas ninguém me diz nada.
Outra que tentava obter informações era uma parente de Evaldo Melo dos Reis, que não quis se identificar. A mulher afirma que estava bastante preocupada com Evaldo, já que, segundo ela, havia os PMs ameaçavam matá-lo - o acusado é assassino confesso do policial militar Marcos da Silva Freire, morto no ano passado durante assalto ao posto do Banestado na UEL.
Sobre a possibilidade de Evaldo ter liderado a rebelião, a mulher diz, ironicamente, que ele é considerado o preso mais perigoso do distrito. Tudo que acontece aí dentro é culpa dele...
Vários moradores do jardim Bandeirantes também acompanharam a movimentação. Ernesto Augusto Teixeira, que mora na avenida Arthur Thomas, diz ter certeza que viu um dos detentos fugindo. Ele conta que estava na rua Serra do Maracaju fazendo uma caminhada por volta das 5h30, quando viu um rapaz passar correndo. Ele estava de short vermelho ou marrom, sem camisa e descalço. Tenho certeza que é um dos fugitivos.
Por volta das 11 horas, quando tudo estava controlado no interior do distrito, algumas mulheres (provavelmente parentes de detentos) começaram um pequeno tumulto do lado de fora. Elas jogaram várias pedras nas viaturas das polícias Militar e Civil estacionadas no pátio e só pararam quando um policial deteve duas delas.
E, como sempre acontece quando ocorre uma rebelião no distrito, as aulas foram suspensas na escola estadual Kazuko Ohara, que fica ao lado do 3º DP. De manhã, os alunos foram dispensados por medida de segurança; à tarde houve aulas normalmente.





