No debate sobre a crise, opiniões divergentes
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Com uma demanda de cerca 1,5 milhão de habitantes na região, que buscam atendimentos nos hospitais londrinenses, a cidade amarga a falta de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Ontem à noite, na Associação Médica de Londrina (AML), foi realizado um fórum de debates para discutir o problema, que em sua mais recente crise vem sendo abalado pelo vazamento de uma correspondência interna da médica chefe da unidade de adultos do Hospital Universitário (HU), Lucienne Queiroz Cardoso, enviada ao diretor clínico da instituição, Sinésio Moreira Júnior, apontando que só este ano, 25 pacientes potencialmente recuperáveis morreram em enfermarias e no Pronto Socorro (PS) à espera de leitos de UTI.
''Uma coisa é a discussão sobre leitos; outra, é a falta de vagas em UTIs. Quero enfatizar que através da Central de Leitos se consegue dar vazão para a demanda. A questão dos 25 óbitos no HU, que estamos apurando num primeiro momento, é que esses pacientes não foram colocados na Central. Na minha opinião existe uma falsa idéia de falta de leitos. Na prática, a capacidade de absorver é maior. Há dois anos, as pessoas podiam morrer, esporadicamente, por dificuldade de acesso ao serviço'', afirmou o diretor de Sistemas de Saúde Gilberto Martin
A oferta de leitos de UTIs em Londrina é de 129 vagas, sendo que 95 são credenciados ao SUS, entre adultos, neonatais e pediátricos.
No final de 2004, o governo estadual investiu em equipamentos para cinco leitos neonatais e dois pediátricos no Hospital Infantil, além de repassar cerca de R$ 200 mil para o Hospital Evangélico comprar equipamentos para a UTI neonatal, ameaçada de fechar.
Martin destaca que os leitos oferecidos pela Central não são totalmente utilizados. Ele compara ao dizer que das 533 vagas oferecidas pela Central de Leitos ao HU este ano, o hospital utilizou 525.''Dados como esse justificam dizer que não que tem pessoas morrendo por falta de leitos. O Estado está concluindo a regionalização da saúde nos procedimentos de baixa, média e alta complexidades, dando uma resposta ao fluxo'', aponta o diretor, afirmando que o projeto está na fase final de discussão, acreditando que em julho ou no máximo em agosto, comece a ser implantado.
Os argumentos de Martin frustraram a expectativa da população e dos representantes da classe médica londrinense, representada pelo presidente da AML, o médico neuropediatra Aparecido José Andrade, a chefe da 17 Regional de Sa© úde, Vânia Gutierrez, os chefes de serviços e autoridades da área de saúde, que não esperavam ouvir essas justificativas. O diretor de Sistemas afirmou ainda que o que foi discutido na reunião será estudado. Porém, não estabeleceu um prazo para apresentar alguma proposta.
''O diretor não deu um prazo, mas deve ser o mais curto possível, porque não pode acontecer mais casos de falta de vagas, com pacientes precisando de UTIs'', avalia o presidente da AML, Aparecido José Andrade. Ele disse ainda que uma das propostas apresentadas na reunião é que se busquem outras alternativas para minimizar o problema.
''Precisamos ver quantos leitos existem no momento, qual a necessidade e onde estão esses leitos. É necessário também trabalhar com a comunicação mais efetiva dos hospitais com a Central de Leitos. Depois, é preciso começar um trabalho de conscientização com a comunidade. Hoje, muitos pacientes que ocupam as emergências e leitos de UTIs são pessoas que se envolvem em acidentes de trânsito, por exemplo; números que poderiam diminuir com um trabalho nesse sentido''.
O promotor de Defesa dos Direitos em Saúde, Paulo Tavares, participou da reunião, apresentando o posicionamento da promotoria.''Estamos apurando se há falta de leitos em UTIs por conta dos 25 falecidos no primeiro semestre no HU. Ouviremos nos próximos dias os diretores e a médica responsável pelo setor de adultos (Lucienne Queiroz Cardoso). Estamos tentando levantar o maior número de informações e provas. Durante o fórum ficou clara a situação do município, que realmente precisa de mais leitos de UTIs. Essa posição se diferencia do
Estado'', concluiu Tavares.


