No começo, idéia foi rejeitada
Na maior escola de Cambé, o Colégio Estadual Olavo Bilac, quatro guardas se revezam para atender os quatro mil alunos, nos três períodos de aula. Um deles é Dorival Valdir Magri, 56 anos, um dos mais antigos na área. Magri entrou para a Guarda Escolar na sua formação e no próximo dia 7 completa 10 anos de atividade.
Magri e o companheiro Antônio Ferreira de Lima, 42 anos - há quatro a serviço da Guarda -, tomam a providência, como cuidado principal, de que nenhum estranho suspeito se aproxime de seus protegidos. Nós ficamos observando os muros para que ninguém fique ali por perto. E evitamos que os próprios alunos se encostem nos muros, dificultando a ação de traficantes de droga, diz Magri.
Casado, pai de um filho, Dorival Magri nem lembra mais de quantos alunos já passaram por suas vistas. Mas não esquece a dificuldade que foi fazer com que eles o aceitasse. No início foi péssimo. Os alunos não entendiam que estávamos aqui para protegê-los, não para vigiá-los, conta. Segundo ele, a maioria dos estudantes achava os guardas escolares um estorvo. Hoje, a maioria que está aqui entrou em um colégio que já tinha guarda. Portanto não reclamam mais, afirma.
A forma de atuação dos dois é simples: eles ficam de olho em tudo. Se surgir algum problema, como uma briga por exemplo, a gente tenta resolver e morre por aqui. Se não der, levamos ao conhecimento da direção, explica Antônio Lima. Estranhos, por exemplo, não entram no colégio sem um motivo válido. Antes, tinha um pessoal de fora que era acostumado a entrar quando queriam. Não tinha nada para fazer aqui. Hoje, não. Mas não podemos descuidar. Se não, pula gente de fora para dentro da escola, afirma Dorival Magri.
Os dois dizem gostar do que fazem, apesar de reconhecer que é preciso ter limites. A gente não é policial. Estamos aqui para evitar problemas, não para criar. Então temos que saber lidar com todo mundo, ganhar na conversa e agir com firmeza quando for preciso. E se não pudermos resolver, levar o assunto até quem possa, explica Magri.
Os alunos do Colégio Olavo Bilac sabem que a presença dos dois guardas representa segurança para si próprios. Eles são legais, cuidam para que não ocorra nada com a gente, diz Franciele Piveta, 16 anos. Mas não deixam matar aulas nem pular o muro, brinca o amigo Carlos Eduardo dos Santos, 16 anos. Nem entrar sem uniforme, completa Elisana Bocote, 15 anos. Apesar das brincadeiras, todos concordam: O colégio é melhor com eles. (T.E)





