Visitar o Conjunto Barbara Daher, conhecido como Cafezal 3 (Zona Sul de Londrina), pode dar em um primeiro momento a sensação de estar visitando uma outra cidade. Ali as ruas funcionam como uma extensão dos quintais das casas: crianças e adolescentes se aglomeram a todo momento para pequenos jogos e competições de bicicleta, ou somente para conversar.
Ao contrário da aparente frieza que rege os relacionamentos entre moradores de prédios esses que se multiplicam por uma cada vez mais vertical e urbanizada Londrina , os vizinhos do Conjunto preferem se chamar de comunidade: a maioria ou se conhece pelo tempo de convivência, ou é funcionário público municipal. A explicação se deve, em muito, à história do bairro, criado em 1988 pelo então prefeito Wilson Moreira (PMDB) para abrigar os funcionários da Prefeitura sem local para morar.
A tranquilidade ainda encontrada no Cafezal 3 contrasta com os problemas enfrentados pelo rápido crescimento de Londrina. Com quase 500 mil habitantes, a terceira maior cidade do Sul do País fechou o ano de 2003 com um índice recorde de violência 192 assassinatos , o que obriga a população a rever e até alterar antigos hábitos. Deixar os filhos brincarem nas ruas, por exemplo, é um risco que não se pode mais correr. Poucos bairros hoje em Londrina oferecem esta possibilidade.
Habitante do Barbara Daher desde sua fundação, Vitor Barbosa, 43, mantém uma pequena mercearia em uma das quatro ruas do bairro, com clientela fixa, desde o início. ''Aqui é tudo muito tranquilo, as pessoas são todas ligadas por um forte vínculo de amizade. Para mim essa é uma dupla vantagem, já que a inadimplência é quase zero'', diz. Um detalhe, porém, o faz pensar que ainda há o que melhorar para os moradores: ''A saúde. O atendimento aqui é muito ruim, deixa a desejar. Para medir a pressão, que é algo aparentemente tão simples, chegamos a amargar 30, 40 minutos na fila. Marcar uma consulta médica também exige paciência, pois é preciso chegar de madrugada'', conta.
Barbosa diz que ''sente que as pessoas que trabalham lá (na Unidade Básica de Saúde Aníbal Siqueira Cabral), não têm vontade de atender o paciente''. Ele conta que é diabético e preferiu prejudicar o orçamento doméstico comprando um aparelho de medir glicemia para não ter que se submeter a tanta espera. A Unidade Aníbal Cabral presta atendimento aos quatro módulos do Conjunto Cafezal, além de outros bairros e chácaras da região. Ao todo, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, a unidade sozinha abrange uma área de aproximadamente 12 mil habitantes.
A vendedora Elvira de Souza, 35, concorda com Barbosa. ''Precisei de uma consulta com ortopedista, esses dias, e tive que voltar para casa com dores, pois o posto estava muito lotado. Isso quando a gente não é mal atendido'', queixa-se.

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