No bairro dos sonhos não há espaço para barracos
''Nós vendemos sonhos. Quem chega até nós tem o sonho da casa ideal, e uma invasão ou favela simplesmente não faz parte desse cenário'', diz Décio Luna, proprietário do escritório de imóveis que leva seu sobrenome. A declaração praticamente resume as dificuldades que imobiliárias têm em vender ou alugar moradias nas proximidades de favelas e invasões.
E isso independe de se o temor que o comprador sente do ''vizinho'' indesejado tem fundamento ou não. ''Em muitas invasões, favelas e fundos de vale, a violência é provocada por pessoas que vêm de outros bairros. Tanto que muitos proprietários de casas nas cercanias não reclamam da insegurança'', argumenta a corretora Regiane Albuquerque. ''A expectativa é pior que o fato. As pessoas têm medo de comprar casa na Vila Ricardo (Zona Leste), onde há uma invasão, mas quem mora no bairro não quer se mudar'', concorda Luna.
Regiane aponta que a Imobiliária Albuquerque, onde trabalha, tem dificuldades em vender imóveis localizados nos Conjuntos Maria Cecília e Aquiles Sthenghel Guimarães, ambos na Zona Norte, onde existem invasões. Ali, a desvalorização imobiliária chega a 30% em casas a um ou dois quarteirões das áreas ocupadas irregularmente.
''Essa é uma situação nacional, que envolve políticas de segurança e habitação'', afirma o corretor Antenor Pinto Boeira, que descreve que em bairros próximos a favelas e invasões o valor de mercado dos imóveis chega a cair até 40% em relação a imóveis de padrão semelhante em outras regiões. ''A solução depende das autoridades, porque o imobiliarista não pode fazer muito para tornar esses imóveis mais atraentes''.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, afirma que agora que o órgão público retomou os investimentos, as invasões não serão mais toleradas. ''Vamos regularizar a situação das pessoas que estão em áreas ocupadas. A partir do momento em que estas famílias que estão há dez, onze anos em fundos de vale forem remanejadas, os imóveis (das cercanias) devem recuperar seu valor de mercado'', explica. Esta semana, a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Prefeitura assinaram convênio para a construção de 80 casas na Zona Norte. Outras obras devem ser liberadas até o final do ano.





