Nas muitas ruas com nomes de serras do Jardim Bandeirantes (Zona Oeste) quase todo mundo se conhece. Ali alguns costumes não são esquecidos, como o de colocar as cadeiras na calçada nas tardes de domingo para curtir a calma do antigo bairro. As casas simples, os poucos carros nas ruas e as algazarras isoladas dos jovens remetem às pequenas cidades do interior.
''Vim para cá com minha família faz uns 30 anos, depois de morar um tempinho no Novo Bandeirantes. O povo aqui é bom, o lugar é calmo, dá para levar a vida'', define Adelino dos Santos, de 61 anos, pai de cinco filhos. No mesmo quarteirão mora o cabeleireiro Domingos Sibim, de 77 anos, que assim como Adelino, conheceu o lugar quando o asfalto se limitava às duas ou três ruas em que o ônibus passava. Nas últimas décadas, ele se acostumou a assistir de camarote ao movimento do bairro. Nas noites quentes de verão e nos finais de semana o principal passatempo de Sibim é passar horas sentado na calçada.
''Acho que o bairro não mudou muito nestes anos. Os problemas são os mesmos e aqui continua tranquilo.'' O cabeleireiro conta que antes de se mudar para a região trabalhava no Centro e morava de aluguel. Quando conseguiu juntar algum dinheiro, escolheu o Bandeirantes para comprar a residência da família. Hoje os três filhos, netos e bisnetos também residem no bairro. ''Tenho uma clientela boa aqui, dá para pagar o feijão de todo dia.''
Também foi a tranquilidade e a boa sensação de estar entre amigos que fez o motorista Ronaldo Gardin, de 33 anos, optar pelo bairro na hora de comprar um imóvel. ''Eu podia ter comprado casa em outro lugar, que seria até mais interessante comercialmente falando. Mas preferi ficar aqui mesmo, onde conheço todo mundo.'' Gardin chegou no Bandeirantes aos dois anos de idade. ''Apesar da insegurança ser um problema generalizado, aqui a gente se sente mais tranquilo porque os vizinhos se conhecem e um ajuda a olhar a casa do outro'', afirma Gardin, enquanto conversa com a mulher sob uma bela sombra e observa a filha brincando na terra, a poucos metros. ''Gosto de tudo aqui, inclusive desta sombra.''
Apesar das ruas planas do Bandeirantes, os visitantes desavisados se perdem em meio a tantos nomes de serras. Uma das principais é a Serra da Esperança, mas outros acidentes geográficos estão ali: Serra das Araras, Serra da Graciosa, Serra Fria, Serra Negra, Serra do Bedengó, Serra Maracaju... ''São 58 ruas no total, todas com nomes de serra. Eu conheço todas'', garante o presidente da Sociedade Amigos dos Bairros Bandeirantes e Industrial (SABBI), Roberto Gonzaga de Oliveira Coelho. Até o clube de futebol, segundo ele, foi batizado de Serra para não fugir à tradição.
Coelho concorda que as transformações no bairro têm sido lentas. ''Mudei para cá há 15 anos. Hoje está um pouco mais urbanizado, e melhorou também o comércio.'' Ele acredita que dos cerca de 8 mil moradores, cerca de 40% é de idosos. Tanto que o bairro foi o primeiro no município a receber um centro de convivência do idoso, inaugurado no ano passado. ''Temos algumas carências, como falta de iluminação nas praças, pistas de caminhada e ônibus diretos para a universidade e para o Shopping Catuaí. Por outro lado estamos bem servidos na área do esporte. Temos um campo de futebol, quadra e ginásio''.

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