''Nunca tive tempo de parar e chorar, arregacei as mangas e fui em frente'', conta a jornalista Maria de Lourdes Genaro, a Malu, mãe de Lucas, 21 anos, Breno, 16, e Lívia, 15. Viúva há 11 anos, ela perdeu não só o companheiro, mas a estabilidade financeira: os filhos, que sempre tiveram de tudo, abandonaram de um dia para o outro a natação, o inglês e as saídas de fim de semana para viver a vida que a partir de então o pouco dinheiro poderia pagar.
''Sempre priorizei que eles não se sentissem coitadinhos, que vissem que a vida continua depois da morte e que mesmo sem pai eles não seriam pessoas infelizes'', diz Malu, lembrando que o período de crise foi ''bem difícil, principalmente para o mais velho, que estava entrando na adolescência''.
A educação baseada no diálogo foi fundamental para a recuperação da família. Conforme Malu, os filhos sempre souberam entender e aceitar um não, quando necessário. Não houve revoltas. ''Lembrava-os de que tinham um teto, estavam comendo e estudando e que, mesmo que não pudessem ter uma roupa nova sempre que quisessem, não eram coitadinhos.''
Logo após a morte do marido, a mãe abandonou o emprego fixo e montou um escritório em casa para cuidar dos filhos de perto. Por alguns anos foi sócia de uma editora e hoje trabalha como assessora de imprensa numa indústria da cidade. ''Sempre consegui manter o básico em casa'', garante Malu, apontando que mesmo dependendo financeiramente dela, os filhos são jovens bastante independentes.
''Eles sempre puderam falar comigo sobre tudo e ainda têm abertura para contestar, mas eu é que decido'', declara a jornalista. Para ela, mesmo que nunca tivessem sofrido a tragédia que viveram, a relação familiar seria igual. ''É uma questão de criação. Eles trazem valores de família desde pequenos'', acredita Malu, recordando que no auge da crise, a família sempre chorou junta. (M.G.)

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