Dorico da SilvaDura realidadeO morador Francisco Cosme de Araújo: ‘Queremos definir logo a situação, para ter água e luz’Melhores condições de moradia também são exigidas por 85 famílias que ocuparam em julho do ano passado parte do fundo de vale do conjunto Aquiles Sthenghel, na zona norte de Londrina. Com apenas uma torneira comunitária e sem luz, elas querem que a Cohab (Companhia de Habitação) defina logo a situação do lugar, que os próprios moradores batizaram de ‘‘jardim dos Campos 2’’ (o jardim dos Campos 1 é outro assentamento, também no Aquiles Sthenghel).
‘‘Nós queremos que eles definam logo a situação para que cada casa tenha sua ligação de água e luz’’, diz o representante das famílias, Francisco Cosme de Araújo, de 55 anos. Ele reclama que os moradores do fundo de vale do Aquiles Sthenghel não podem fazer melhorias nos barracos, com receio de que sejam transferidos depois para outro local. Queixa-se também que a torneira comunitária não é suficiente para atender todas as famílias e, com isso, muita gente acaba tendo que abastecer as panelas e garrafas com água de uma mina. ‘‘Mas a água da mina não é boa e muitas crianças estão ficando doentes’’, conta Araújo.
Na opinião de Hilda Bezerra, de 23 anos, a água da mina foi a responsável pela diarréia que acometeu seu filho, de um ano e cinco meses, por aproximadamente 15 dias. ‘‘Ele teve até que tomar soro’’, diz a mulher. O servente de pedreiro Wilson Pereira Gomes, de 32 anos, também culpa a água da mina pelas dores de barriga que frequentemente ‘‘atacam’’ os cinco filhos. Como muitos dos moradores do jardim dos Campos 2, Wilson fez sua inscrição na Cohab, há cerca de 10 anos, para comprar uma casa própria, mas até agora nenhum financiamento foi liberado. ‘‘Eu cansei de esperar pela casa popular da Cohab.’’
Para tentar sensibilizar os vereadores para a dura realidade do pessoal do jardim dos Campos 2, Francisco de Araújo diz que vai se reunir hoje com o presidente da Câmara de Vereadores, Adalberto Pereira (PFL). ‘‘Nós queremos marcar uma reunião na Câmara com todos os moradores e também com os diretores da Cohab, Sanepar e Copel’’.
O responsável pelo Departamento de Planejamento Social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima, diz que a solução para o problema do pessoal que ocupou o fundo de vale do conjunto Aquiles Sthenghel depende da liberação de recursos financeiros, especificamente para a área de habitação popular. Ele explica que a intenção da Cohab não é resolver isoladamente as ocupações irregulares. ‘‘Nós estamos atrás de recursos para implantar uma política de desfavelamento.’’
Humberto de Lima lembra que os moradores não poderão permanecer naquele local, já que a Justiça impede a ocupação dos fundos de vale, e avisa que assim que o município tenha dinheiro eles serão removidos para outra área. Enquanto isso, os moradores terão que ir se virando com apenas uma torneira comunitária. Humberto jusitifica: ‘‘Se nós fizermos uma ligação de água e luz para cada família estaremos incentivando a ilegalidade e não podemos regularizar de forma errada.’’

mockup