Os números registrados pelo Centro de Referência em Acidentes ao Trabalhador (Cerest) de Londrina confirmam a frequência de incidentes como o de Marilza. De acordo com a coordenadora do órgão, Mara Ferreira Ribeiro, no ano passado 209 acidentes com material biológico foram notificados, a maior parte do tipo perfurocortante.
A maioria das vítimas, 42,6% do total, era auxiliar de enfermagem. Médicos somaram 21%, enfermeiros 13% e funcionários de serviços gerais, 18%. Segundo Mara, o Cerest coleta dados detalhados sobre acidentes para poder propôr medidas de controle. ''Para todo e qualquer tipo de acidente há meios de prevenção, com conscientização e capacitação. São hábitos que se muda no dia-a-dia'', avaliou.
Nos próximos dias 19 e 20, o Cerest irá promover um seminário para 60 técnicos de estabelecimentos de saúde sobre acidentes com material biológico. Entre os cuidados recomendados, estão o uso de acessórios de proteção, a vacinação dos trabalhadores contra hepatite B e o manejo correto de resíduos.
Quanto aos procedimentos a serem tomados após acidentes com agulhas, a enfermeira do Cerest, Renata Baldo, explicou que a primeira preocupação é com uma contaminação de HIV. Os funcionários da rede municipal de saúde são orientados a pedir uma amostra de sangue da fonte (no caso, o paciente que recebeu a injeção) e levá-la imediatamente para teste de HIV. Se der positivo, o funcionário supostamente infectado já começa a receber o coquetel anti-retroviral. No caso de fontes desconhecidas (agulhas achadas no lixo, por exemplo) os exames são feitos diretamente no trabalhador contaminado.

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