No aniversário do Iapar, uma homenagem à mulher
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quarta-feira, 28 de junho de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) celebra hoje 34 anos com uma programação voltada para homenagear as mulheres que atuam na área da Ciência e Tecnologia. As comemorações têm início às 14 horas, com uma vesperal de palestras, depois segue com uma homenagem a Lucia Tosi, pioneira nos estudos de Ciência e Gênero no Brasil, e às 18h30 acontece lançamento do livro ''Ciência, Tecnologia e Gênero: desvelando o feminino na construção do conhecimento''.
A socióloga do Iapar Lucy Woellner dos Santos é uma das três organizadoras do livro, uma coletânea de oito capítulos dedicados à questão da presença feminina no meio científico. Além de estudiosos de Londrina, Maringá, Rio de Janeiro e Campinas, o livro também teve a colaboração de duas pesquisadoras espanholas. ''O sucesso do primeiro livro (Ciência, Tecnologia e Sociedade: o desafio da interação, já em segunda edição) ajudou para que pudéssemos contar com esses expoentes'', explica a socióloga.
Lucy lembra que a participação feminina na ciência não é recente. ''Em épocas remotas as mulheres auxiliaram nas descobertas para conservação dos alimentos, nos atendimentos a doentes. Mas antes elas não tinham direito à posse'', diz. Em pleno terceiro milênio, os preconceitos ainda são grandes, mesmo que não sejam explícitos. ''Os estereótipos não correspondem à realidade'', avisa Lucy, contrária à divisão rigorosa de que aos homens são dados os atributos de racionalidade e às mulheres, os da emoção.
''Em iguais condições, a mulher pode brilhar em qualquer área'', garante a socióloga. ''Não é querer ser melhor que o homem, é só se igualar. As mulheres estão há muitos anos em desvantagem'', explica. Nas páginas do livro encontrado na Livrarias Porto e Iapar a R$ 20 , os capítulos tratam da presença da mulher na literatura inglesa e resgatam dados históricos da contribuição científica das mulheres na antiguidade e idade média. No artigo que analisa o banco de dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), os resultados são promissores já que ''demostram que a participação feminina na produção do conhecimento, em todas as áreas, está crescendo'', relata Lucy.
A discussão sobre ciência e gênero, segundo a socióloga, está em consonância com as preocupações da sociedade, que vive os embates pela igualdade dos sexos. Sociedade e ciência estão intimamente ligadas. ''É a sociedade quem recebe os benefícios ou sofre as consequências dos resultados da pesquisa'', relata. ''É o cidadão que vai ser atingido pelas descobertas científicas'', define.
A primeira palestra de hoje será com o professor Attico Cassot, da Unisinos, que irá falar sobre ''A Ciência é masculina? É, sim senhora!''. ''Eu não responderia assim'', diz, é claro, a socióloga Lucy Woellner dos Santos.


