Em um setor do santuário, as paredes estão cobertas por milhares de fotografias de devotos e sobre a mesa bilhetes, uns solicitando a interferência do Bom Jesus; outros declarando-se atendidos. Inaugurado em 1975, situa-se na parte mais alta da cidade, onde havia a chácara da Província da Ordem dos Franciscanos, numa área de 28 mil metros quadrados abrangendo outras edificações e espaços reservados a barracas e trailers para a venda de alimentos, artesanato, roupas, bebidas. Já com uma restrição a partir deste ano, conforme o decreto 447, de 2010, assinado em abril pelo prefeito, Luiz Antônio Liechocki.
Sugerido pelo pároco, frei Cláudio Sérgio de Abreu, e o coordenador do conselho econômico da organização, José Bueno, o decreto proíbe barracas de bebidas alcoólicas destiladas nas ruas de acesso ao parque, a fim de se permitir o livre trânsito dos visitantes e atender à ''reclamação de famílias preocupadas com a formação dos nossos adolescentes e jovens''. É permitida a venda de cerveja.
''A festa vem crescendo a cada ano'' e as barracas ''causavam má-impressão, ofuscando o verdadeiro sentido espiritual da festa'' e ''dificultavam ou até mesmo impediam a circulação dos romeiros'', conforme o texto oficial da paróquia. Segundo José Bueno, a receita das festas permitem a manutenção da estrutura e até de outros bens da paróquia. Natural de Apucarana, frei Cláudio se encontra há um ano à frente da paróquia e se declara impressionado com a disposição da comunidade, lembrando que são 700 voluntários; a festa continua a crescer e, provavelmente, será preciso aumentar a estrutura física.
A secretária da coordenação, Edna Garanhani, informa que a imagem do Bom Jesus da Cana-Verde em Siqueira Campos, restaurada em 2007, é tema de um filme de longa-metragem, com atores da cidade. Está na cinemateca do Paraná e terá cópias em CD. A produção baseia-se principalmente na pesquisa do historiador Joaquim Vicente de Souza, que inclui lendas, fatos verídicos e a hipótese de que a imagem tenha sido esculpida por um discípulo de Aleijadinho, pois teria sido comprada ao sul de Minas Gerais e levada para a região de Itapetininga no Estado de São Paulo. (W.S.)

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