No abrigo, atendimento é coletivo
''Em um abrigo dificilmente a criança tem tratamento individualizado.'' A frase é de Márcia Paiva, coordenadora de acolhimento institucional da secretaria municipal de Assistência Social. Conforme ela, desde o endereço até a hora de dormir são coletivos. Ela acrescentou que a criança institucionalizada muitas vezes é vista como incapaz. ''Falta esclarecimento sobre a vida das pessoas que moram em abrigos, inclusive para os professores, já que tudo que a criança faz fora da regra da escola é potencializado por ser uma criança em situação de abrigo.''
Ela disse que algumas pessoas acham que as crianças precisam ficar presas dentro da instituição, mas a verdade é que elas levam uma vida normal. ''Vão à escola sozinhas, quando tem capacidade para isso, vão ao médico, andam pela rua normalmente.'' Apesar de buscar imitar ao máximo a vida em uma casa, há situações em que este objetivo não é alcançado. ''Algumas vezes a criança demora para fazer amizade e quando isso acontece o amigo ou o educador vai embora. Cada vez que ela enfrenta uma situação como esta é uma perda, já que fica a sensação de frustração.''
Márcia destacou que muitas pessoas têm uma visão equivocada dos abrigos. ''Precisamos destacar que as crianças que moram nas instituições não passam necessidade. Há alimentação balanceada, material de higiene e roupas disponíveis. Muitas vezes a necessidade não é material, mas sim emocional.'' Apesar das limitações da convivência em abrigo, algumas crianças resistem em retornarem para a própria família por medo de que alguma situação ruim possa se repetir ou simplesmente por que estão adaptadas à vida na instituição. (M.A)





