O surto de sarna que atormenta pelo menos a metade dos 245 presos do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina evoluiu para um quadro de infecções bacteriológicas ósseas e de pele, provocando até o surgimento de celulite com necrose em alguns dos pacientes. O diagnóstico foi feito ontem por uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde, que visitou o DP atendendo a uma solicitação do delegado responsável pelo distrito, Marcos Fontes. A equipe deve elaborar um relatório sobre a situação da carceragem e o documento será encaminhado à Promotoria de Direitos e Garantias Constitucionais e à Vara de Execuções Penais (VEP), podendo provocar até a interdição do distrito.
Com capacidade para 64 pessoas, o 2º DP abriga hoje 245. A superlotação é apontada como a principal causa para as rebeliões constantes e para a propagação de doenças. A visita periódica de médicos é uma reivindicação antiga dos presos e dos familiares.
Participaram da visita a gerente de Epidemiologia da secretaria, Josemari de Arruda Campos, dois médicos, além de enfermeiros e auxiliares. ''Vimos que o problema não se tratava mais de um surto simples de escabiose (sarna). Alguns presos tinham infecções sérias de pele, provocadas por bactérias'', citou Josemari.
Parte dos presos foi medicada e outros tiveram exames encaminhados para o Laboratório Central do Paraná (Lacen), em Curitiba. Um deles teve a internação recomendada e deve ser transferido para a Casa de Custódia de Londrina. Como medida preventiva, Josemari receitou o uso de um medicamento oral para controle da sarna e de uma solução para desinfecção durante o banho. Ela reconhece, no entanto, que a medida é paliativa. ''Não temos estrutura para o atendimento sistemático. Também verificamos as condições da cadeia e verificamos que há muita umidade, falta de ventilação e de luz. Nestas condições, não adianta tratar de um preso, pois logo que ele volta vai estar sujeito à doença'', explicou.
A gerente também deve entregar um relatório da visita ao promotor de Defesa de Direitos Constitucionais, Paulo Tavares. ''Depois disso, vamos tomar as medidas necessárias e cabíveis'', disse, em referência às condições de higiene da cadeia. A interdição, sugerida legalmente por vários advogados ao juiz da VEP, Roberto do Valle, também não está descartada. ''Os processos estão em andamento. Pode acontecer a qualquer momento'', garantiu. Valle, que está de férias, deve realizar pessoalmente uma vistoria no distrito na volta ao trabalho.
Segundo Josemari, a equipe deve retornar ao distrito nesta sexta-feira e a intenção é organizar um programa de atendimento médico para os presos dos distritos de Londrina, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde. Hoje os presos são atendidos isoladamente, escoltados por uma equipe da Polícia Civil para os postos de saúde ou para os hospitais.
De acordo com o delegado adjunto da 10 Subdivisão Policial, Nelson Águila, a demanda por escoltas, entre atendimentos médico e legal, é de cerca de 15 viagens por dia. Não há equipes médicas para consultas nas carceragens. ''O ideal seria que não vivêssemos esta situação de superlotação. Assim os presos não estariam sujeitos a doenças nem provocariam tantas rebeliões.'' A compra de medicamentos para os presos, segundo ele, é feita periodicamente, mas atende somente a uma pequena parcela das necessidades.

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