No 1º dia útil do ano, usuários de ônibus reclamam de aumento da tarifa
Principal queixa é em relação à qualidade do serviço que, segundo os passageiros, não acompanha o aumento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de janeiro de 2024
Principal queixa é em relação à qualidade do serviço que, segundo os passageiros, não acompanha o aumento
Simoni Saris - Grupo Folha 
O aumento da tarifa do transporte coletivo em Londrina desagradou os usuários. O novo valor, de R$ 5,75, passou a valer no dia 1 de janeiro e, nesta terça-feira (2), primeiro dia útil de 2024, o que se ouviu dos passageiros que passaram pelo Terminal Central foram muitas reclamações. A principal delas é referente à qualidade do serviço que, segundo eles, não está condizente com o preço da passagem.
A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) autorizou a alta de quase 20% no preço da tarifa, que subiu de R$ 4,80 para R$ 5,75. Segundo o município, o aumento tem amparo na lei municipal 13.340, aprovada pela Câmara Municipal em 2022, que garante a possibilidade de custeio da gratuidade do sistema. O novo valor, disse a CMTU, foi definido após análise técnica da planilha de custos do transporte coletivo.
QUEIXA
O reajuste de quase R$ 1 surpreendeu os usuários. Para quem utiliza os ônibus diariamente e paga a tarifa cheia, a alta onera os gastos com o serviço em mais de R$ 40 mensais. É o caso da diarista Sirley de Jesus de Matos. “Está muito caro e os ônibus demoram demais para passar no ponto. O tempo de espera é muito grande. O atendimento é péssimo. Se tem que subir o preço da passagem, então tem que subir também a qualidade do serviço, que na minha opinião, não está boa. De domingo é pior ainda, quase não tem ônibus. Não tem motivo um aumento desse para continuar do mesmo jeito”, reclamou.
O último reajuste, praticado em janeiro de 2023, foi de R$ 0,80, quando a passagem subiu para R$ 4,80. Em janeiro de 2022, o preço havia sido reduzido de R$ 4,25 - valor que vinha sendo mantido desde 2019 - para R$ 4.
IMPACTO NO ORÇAMENTO
A autônoma Margarida de Paula disse que não esperava começar o ano com aumento no preço da tarifa do transporte. “Fui surpreendida com esse reajuste, ainda mais um reajuste desse valor. Às vezes, para trabalhar, meu marido me leva, mas muitas vezes utilizo o ônibus e pago a tarifa integral. Nem fiz as contas ainda de quanto vai ficar mais caro, mas vai pesar.”

“O salário mínimo subiu quase R$ 100, mas não adianta nada porque tudo sobe e o aumento do salário não acompanha o aumento de todas as outras coisas. É muito difícil a vida do trabalhador. Eu não pago mais ônibus, mas sei o quanto é difícil para quem recebe salário e tem que gastar com ônibus. Boa parte vai para pagar o transporte. Sempre subia R$ 0,20, R$ 0,25. Agora subiu quase R$ 1 de uma vez só. O preço está alto demais”, disse o aposentado Jocel da Silva Araújo.
RENOVAÇÃO NA FROTA
Como argumento para a alta da tarifa, a prefeitura citou a renovação de frota promovida em 2023, que colocou em circulação 147 novos ônibus, 42% do total. Entre esses novos veículos que foram integrados à frota, 44 deles são equipados com ar-condicionado, o que representa menos de 30%. O sistema de transporte coletivo em Londrina opera atualmente 133 linhas e segundo a CMTU, 44,5 mil pessoas utilizam o serviço diariamente, o que corresponde a 89 mil passagens.
A Folha de Londrina procurou a presidência da CMTU para repercutir a queixa dos usuários, mas a reportagem foi informada que devido ao recesso de fim de ano não haveria porta-voz para dar entrevista.


