Nível do Rio Paraná sobe 14 metros
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quarta-feira, 08 de abril de 1998
Flávio Moura Especial para a Folha 
Ney de SouzaPrecauçãoSalão do Cataratas Iate Clube, ontem à tarde: água por pouco não invadiu o local A Defesa Civil de Foz do Iguaçu está em estado de alerta para remoção da população ribeirinha em 17 pontos críticos às margens do Rio Paraná e dos seus afluentes. O Rio Paraná atingiu ontem 14 metros acima de seu nível normal. A vazão do leito está em 23 mil metros cúbicos por segundo, oito mil a mais que a média.
Até a tarde de ontem, a Defesa Civil ainda não havia registrado a ocorrência de famílias desabrigadas. Alguns pontos conhecidos da cidade estão sofrendo com o alagamento. O Cataratas Iate Clube quase fechou seu restaurante.
No final da tarde, faltavam menos de dois metros para as água invadir o salão onde são servidas as refeições. No Espaço das Américas, um centro de convenções próximo ao Marco das Três Fronteiras, a inundação afetou o estacionamento e o porão do edifício.
Segundo o Coronel César Zelinski, Diretor de Operações da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), que reúne 58 entidades governamentais e não-governamentais, a vazão do rio está sendo monitorada com a ajuda dos dados de Itaipu. Com este trabalho podemos agir com antecedência e evitar maiores danos, garante o coronel.
A prefeitura reservou uma linha telefônica, o 199, para chamadas de socorros. Depois da ligação, as equipes da Comdec se comprometem a fazer a remoção da família em menos de uma hora.
Em Ciudad del Este, as águas do rio Acaray, afluente do rio Paraná, também continuaram subindo e chegaram ontem a sete metros acima do normal. O número de famílias desabrigadas aumentou para 200.
Segundo os moradores, a situação se agrava com o lixo que está se acumulando no leito do rio. As crianças reclamam de coceiras pelo corpo, acho que deve ser a água contaminada, diz Midonia Vera, 38 anos, mãe de seis filhos, que está alojada em um abrigo de lona no próprio bairro atingido, o San Rafael.
As chuvas e o granizo causaram prejuízos também na zona rural da região. Em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu), produtores de milho, sojas e hortaliças tiveram um prejuízo de dois milhões de reais. A produção de milho deve perder 200 mil sacas do total esperado para a colheita.
Além de prejuízos, a força das águas proporciona espetáculo e ajuda o turismo. As chuvas e o desativamento de metade das unidades geradoras de energia de Itaipu, fizeram dobrar o volume de água liberada pelos vertedouros da usina.
O impressionante turbilhão formado pelos cerca de 15 mil metros cúbicos de água liberados a cada segundo, está atraindo a atenção dos turistas. A Divisão de Imprensa de Itaipu espera que durante os feriados de Páscoa o movimento, que normalmente é de 1.500 pessoas, chegue a 8 mil por dia.
A Copel informou ontem que o racionamento de energia elétrica atingiu 60 mil casas em todo o Paraná devido à queda de sete torres em duas linhas de transmissão de energia do sistema Furnas, segunda-feira, em Campina da Lagoa, a 100 quilômetros de Campo Mourão. A redução no Paraná foi de 58 megawatts, para uma previsão de déficit de 150 MW.


