Ninguém quer sair do Conjunto das Flores
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
Erica Shimamura<br>Reportagem Local 
Um lugar arborizado, onde os vizinhos são amigos, as casas têm muros baixos, a praça é limpa, livre de cercas elétricas e com raríssimos crimes, só podia mesmo ser considerado uma ''terra santa'', na opinião da moradora do Conjunto Habitacional das Flores, Nair Gimenez. O bairro da Zona Sul de Londrina fica ao lado do 5º Batalhão da Polícia Militar e não ocupa um espaço muito maior do que cinco ou seis quarteirões. Não há edifícios e a maioria das casas circunda uma praça, que ao mesmo tempo é ponto de encontro e espaço para as brincadeiras das crianças.
A razão para tanta tranquilidade e pela preferência dos moradores pelo local parece ser a mesma, segundo a pensionista Maria Lopes Pereira, há 22 anos no bairro. ''Aqui, cada um cuida do outro, pois todos se conhecem. No verão dá para ficar até tarde conversando na pracinha, sem nenhum problema'', conta. A moradora relata ainda que dorme com as janelas abertas nas noites de calor e que trancar a porta de casa é o tipo de preocupação deixada somente para a hora de dormir. ''O único roubo no bairro aconteceu há tanto tempo que nem lembro. Levaram a bicicleta de um garoto. Foi só isso mesmo''.
No Conjunto das Flores é difícil encontrar casa para alugar ou vender, porque ''ninguém quer sair daqui'', conta Zilda Pilla, outra moradora. ''O bairro também é habitado, na maioria das casas, por idosos. As crianças que costumam brincar na praça são netos dos moradores''.
A falta de casas comerciais, como uma farmácia e um mercado, não parece incomodar os moradores. Neste caso, mais uma vez os vizinhos podem contar com a ajuda uns dos outros. ''Quando precisamos de um remédio ou outra coisa com urgência, pedimos para alguma vizinha. Isso não é problema aqui no bairro''.
A opinião é compartilhada pela dona-de-casa Nair Gimenez, uma das primeiras moradoras que está há 30 anos no local. ''Aqui somos mais do que vizinhos, viramos parentes. Um vizinho cuida do outro; até os cachorros recebem cuidados quando alguém sai ou vai viajar.''
Para o funcionário público aposentado e marido de Nair, Darci Gimenez, a arquitetura do bairro facilitou a manutenção da segurança. ''É um local de difícil acesso, que não serve de passagem para outras pessoas de fora. E também somos pobres, o que iriam querer roubar de nós?''
Nair lembra ainda que os serviços básicos como coleta de lixo, fornecimento de água e luz, limpeza e manutenção da praça e acesso a transporte coletivo funcionam bem, sem a necessidade da intermediação de uma associação de moradores. ''Somos muito bem assistidos e quando é preciso reclamar de algum problema, os próprios moradores tomam a atitude e vão pedir o que querem na Prefeitura''.


