Aos 23 anos, Nathalia de Oliveira Westphalen vive atualmente os dias de recuperação de um bem-sucedido transplante de medula óssea. O drama da estudante de Medicina Veterinária começou em 2008, quando a leucemia foi descoberta depois de um internamento no hospital por suspeita de dengue. No mesmo ano, ela se submeteu a cinco sessões de quimioterapia. ''Teoricamente, seria apenas isso'', disse.
Pouco antes de completar um ano de tratamento, porém, ela voltou a sentir os mesmos sintomas da época do primeiro diagnóstico. ''Como a doença tinha voltado, o médico achou melhor fazer o transplante'', disse. O que se seguiu depois foi uma grande demonstração de solidariedade dos amigos de Nathalia, que sensibilizaram toda a cidade com a campanha ''Unidos pela Nath''.
O objetivo era encontrar um doador compatível com a moça. O que se conseguiu foi um grande número de pessoas dispostas a ajudar que engrossaram os cadastros do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). ''O apoio dos meus amigos, da minha família e da Rosa, que trabalha com a minha família, foi fundamental'', disse Nathalia, que considera importante estar ao lado de pessoas positivas nos momentos difíceis.
''Ninguém me tratou como 'coitadinha'. Minhas amigas ligavam para conversar, contar fofocas... Isso foi muito legal'', completou. No dia 28 de maio, ela fez o transplante da medula de um doador 100% compatível. Como o tipo do sangue era diferente, ainda é preciso tomar sangue a cada 15 dias para amenizar a anemia que ficou como sequela. ''A tendência é melhorar depois que todo meu sangue for substituído pelo produzido pela nova medula'', explicou.
Até completar um ano, ela também viverá com outras restrições, como não tomar sol e não frequentar locais muito cheios. ''Mas já posso ir ao supermercado'', comemorou a moça, que depois da doença aprendeu a dar valor a pequenas coisas, como uma simples saída para fazer compras.
Nathalia acredita que o processo vivido nos últimos três anos combateu o individualismo e despertou a solidariedade. ''Faço faculdade de Medicina Veterinária e nunca me preocupei com os animais abandonados, por exemplo. Hoje, mesmo sem poder sair de casa, batalho para conseguir moradias para eles. Outro plano é me tornar doadora de sangue assim que puder. Agora que preciso, passei a dar valor às doações.''

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