''Ninguém liga prá gente''
Por debaixo da maquiagem carregada, garotas de programa de Londrina tentam camuflar a sensação de desamparo e driblar a certeza de impunidade em relação aos seus agressores. Aprenderam com a vida que as chances de saírem ilesas dos perigos das ruas crescem na medida em que se unem em torno de códigos de lealdade e segurança.
''Esses crimes nunca vão ser descobertos porque a polícia não está nem aí para a gente. Não significamos nada'', desilude-se uma das garotas que trabalha durante o dia para escapar dos riscos que chegam quando o sol se põe. Normalmente, ela costuma preferir a segurança das boates em vez de encarar a violência das ruas.
As precauções se justificam porque histórias de ameaças e agressões são comuns na profissão. Uma delas confessa que a faca que passou a carregar na bolsa depois que outras meninas foram violentadas a salvou de um homem que tentou estrangulá-la. As garotas também trocam informações entre si sobre clientes mais violentos e evitam aceitar programas com aqueles que já agrediram ou ameaçaram colegas. (L.A.)





