Ninguém fala em uma solução Apesar de o assoreamento do leito dos lagos Igapó e da represa do Arthur Thomas ser um processo notável até por leigos a olho nu, não existe parâmetros concretos e científicos para se avaliar o tamanho do problema. Diretores de secretarias municipais e órgãos estaduais e federais ligados ao meio ambiente admitem a existência do assoreamento, mas não têm dados sobre a sua extensão e nem sobre o gradativo aumento dele. Eles não têm também nenhum projeto para solucionar o problema a curto prazo. O próprio João Batista Souza, que denuncia os riscos contidos no assoreamento, explica que não há estudos ou análises periódicos que comprovem, cientificamente, o tamanho e a evolução do fenômeno nos lagos centrais da cidade. ‘‘As análises que fazemos regularmente nas águas do Igapó são microbiológicas, para checagem do nível de balniabilidade delas para fins recreativos. Não podemos precisar, através delas, a quantidade de terra e areia que entra e fica no fundo dos lagos’’, diz a bioquímica do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Londrina. O chefe regional do Instituto Brasileiro de Meio ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) José Carlos Machado, comenta que o órgão federal não possui trabalho nesta área específica por falta de estrutura e de pessoal. Também a Universidade Estadual de Londrina (UEL), que tem vários departamentos ligados ao meio ambiente, não conta com pesquisa sobre o assoreamento dos lagos formados pelo Ribeirão Cambé. Entre as secretarias municipais que trabalham na área, prevalece um jogo do empurra-empurra. ‘‘Certamente a solução passa por uma grande dragagem, que é cara e necesitaria do rebaixamento do nível da água. A minha secretaria está aqui para viabilizar a solução, para executar as obras necessárias, mas não recebemos nos últimos anos nenhuma solicitação neste sentido da AMA e Comurb, que são os órgãos responsáveis pelos projetos para o meio ambiente’’, afirma o secretário municipal de Obras José Righi de Oliveira. O diretor de manutenção e serviços da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Humberto Rodrigues de Lima, ressalta que o órgão tem consciência do problema e que objetiva desenvolver ações para solucioná-lo em conjunto com o IAP e Ibama. Segundo ele, para isto a Comurb solicitou projetos técnicos à Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) nos últimos meses, sem no entanto tê-los recebido. Talvez o desencontro entre os órgãos municipais que deveriam cuidar da questão esteja ocorrendo em consequência das constantes trocas de diretores na AMA e Comurb nos últimos três anos, depois que surgiram denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público nas duas autarquias. ‘‘O assoreamento vem de longo tempo. Temos aqui vários projetos no sentido de evitá-lo; mas para implantá-los necessitamos de uma política única, de um ataque sistemático por parte de várias secretarias. Vamos analisar os projetos mais viáveis e negociá-los com outros secretários, para encaminharmos as soluções’’, diz o novo presidente da AMA, Otávio Shimba, que assumiu o cargo recentemente. (O.C.)