Ninguém deu lance no segundo leilão do Thermas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de abril de 1997
Edmara Michetti 
Paulo WolfgangJacomossi: Falta participaçãoNenhum interessado deu lance para a compra do balneário Thermas de Londrina, no leilão realizado ontem no Fórum. Este foi o segundo leilão realizado este ano - ambos com resultado negativo.
Estiveram no Fórum, para acompanhar o leilão, representantes da Associação dos Sócios do Thermas de Londrina (Asther), um grupo de 10 associados, um dos mais de 45 credores do clube e ainda o representante do grupo Jacomossi, Ary Jacomossi, que esteve na presidência do balneário até 93. Ele foi substituído por sua nora Rosângela Petruci.
O patrimônio foi calculado em R$ 1.852.040,00, incluindo todo o complexo composto por piscinas, parque aquático, restaurante e os 3,9 alqueires de área. O valor mínimo aceito para a compra teria que ficar entre 70% e 80% do total. Novo leilão pode ser marcado pela Justiça, caso os credores considerem necessário.
O terreno do Thermas - localizado na estrada do Limoeiro, zona leste de Londrina - chegou a ser arrematado num leilão realizado em 94. Como as dívidas não foram quitadas, a área entrou novamente no leilão. A advogada da Asther, Vera Lúcia Antoniassi Veronez, disse ontem que no primeiro leilão as terras teriam sido arrematadas por um testa-de-ferro dos Jacomossi.
A advogada não soube informar o nome do adquirente. A Asther foi criada, oficialmente, anteontem. Só as ações cíveis contra o Thermas de Londrina, de acordo com Vera Lúcia, somam R$ 12.453,16. Outras seis ações trabalhistas movidas contra o clube correm nas 1ª e 2ª juntas de Conciliação. Segundo Vera Lúcia, os valores dessas ações estão em moedas já extintas.
Paulo WolfgangVera: Clube está abandonado
O clube continua sob o controle do grupo Jacomossi. O Thermas de Londrina, segundo Ary Jacomossi, faz parte de um projeto de interiorização do turismo desenvolvido pelo grupo.
Jacomossi afirmou que não acreditava que o clube fosse arrematado. Nunca acreditei que aparecesse um comprador porque o clube não dá retorno, alega. Atualmente, o Thermas tem cerca de 47 mil sócios titulares.
A advogada da Asther reclama que o clube está abandonado - o tobogã aquático, por exemplo, está parado, e uma das piscinas está vazia. Jacomossi garante que os associados não serão prejudicados e o clube continuará funcionando. Mas os investimentos, segundo ele, dependem da entrada de recursos. Jacomossi alega que sem a participação dos sócios não é possível investir.
Uma entrada de recursos, segundo ele, seria a renovação anual das carteirinhas e do cadastro dos sócios. A taxa cobrada para isso, pelo Thermas, é de R$ 22,00. 99% dos sócios não renovam e não temos como melhorar, diz Jacomossi. Na opinião dele, o sucesso do clube depende também do asfaltamento da estrada que leva até o Thermas. A dificuldade de acesso atrapalha o interesse pelo clube e assim não temos como mantê-lo.
Atualmente, 12 funcionários trabalham no clube em Londrina mas, segundo a advogada Vera Lúcia, sem receber. Eles só continuam trabalhando para não perder os direitos, disse. Jacomossi alega que o clube é uma sociedade em cota de participação. Ele considera injustas as ações trabalhistas movidas contra o balneário. Todos os funcionários que saem movem ação e não temos meios de controlar.


