Ningém assume limpeza do óleo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de março de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
A limpeza dos rios atingidos pelo derramamento de óleo na Serra do Mar está gerando um conflito entre órgãos ambientais do governo do Estado e a Ecovia, concessionária que administra do trecho da rodovia BR-277 entre Curitiba e Paranaguá. Ninguém quer assumir a responsabilidade pela retirada do óleo que atingiu os rios dos Padres e do Pinto.
Enquanto a Secretaria de Estado do Meio Ambiente cobra da Ecovia a limpeza de toda a área atingida, a concessionária entende que deve limpar apenas a faixa de domínio estabelecida por conta da administração da rodovia. O óleo foi derramado no último domingo em um bueiro da BR277.
O secretário de Estado do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, disse que a concessionária é co-responsável e vai exigir da empresa o cumprimento à notificação feita pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A secretaria pode adotar outras medidas punitivas contra a Ecovia Quanto à possibilidade da aplicação de multa, Andreguetto informou que está sendo estudado juridicamente se a empresa pode ser multada como co-responsável.
Segundo a assessoria de imprensa da Ecovia, a concessionária se comprometeu a retirar o óleo numa faixa de cerca de 30 metros, na margem da BR-277, e dar apoio ao restante do trabalho, que entendem ser de responsabilidade dos órgãos ambientais. A Ecovia colocou 15 homens para a limpeza e contratou um consultor ambiental para orientar os trabalhos. Andreguetto afirmou, no entanto, que não há qualquer acordo nesse sentido, mesmo porque não é função dos órgãos ambientais fazer a limpeza de áreas degradadas.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) encaminhou, ontem, as amostras do óleo coletado do solo e vegetação ao longo dos rios para o Laboratório Central de Pesquisa e Desenvolvimento (LAC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O Ibama também coletou produto dos caminhões da Petrobras que estão transportando o óleo da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, até o Porto de Paranaguá. A idéia é verificar se o óleo derramada não pode ter sido desses caminhões.
Deve ser divulgado hoje o resultado das análises feitas pelo IAP.


