Curitiba

Kraw PenasOscar Niemeyer: ‘‘Tanto o pobre quanto o rico se emocionam’’‘‘A função da arquitetura é invadir a poesia das estruturas’’, disse ontem Oscar Niemeyer no 15º Congresso Brasileiro de Arquitetos, no Centro de Convenções, em Curitiba, para uma platéia predominantemente jovem. A Aula Magna que ele proferiu começou com uma hora de atraso, sem que houvesse qualquer manifestação de cansaço dos cerca de 1.500 espectadores que prestigiaram a sessão. A tietagem foi o ponto marcante do encontro.
O mestre deu sua aula lembrando do passado, desde a amizade travada com Juscelino Kubitschek, ainda em Minas Gerais, quando projetou a Catedral de Pampulha de Belo Horizonte, numa única noite - ‘‘eu era muito jovem na época’’ -, à construção de Brasília, o auto-exílio na Europa com o Golpe de 1964 e o retorno, alguns anos depois, quando teve que ir depor no Dops.
Aos 90 anos Niemeyer mantém suas convicções socialistas. Ele criticou a miséria brasileira que ‘‘está grande’’ e afirmou que o homem não pode ser feliz com tanta pobreza ao seu redor. Embora viva num País capitalista, ainda assim ‘‘a gente tem que se preocupar em construir prédios bonitos. Tanto o pobre quanto o rico se emocionam’’.
Textos - Arquitetura para Oscar Niemeyer é ‘‘invenção’’ - o que ele busca é ‘‘criar o espanto, a surpresa’’. Para isso não bastam somente o desenho e os cálculos; os projetos são sempre acompanhados de textos que tornam claro suas intenções. Quando escreve, ele torna mais convincente aquilo que está na planta.
Se encontra dificuldade na exposição escrita, o arquiteto não tem dúvidas: volta para a prancheta. Do alto de sua experiência, deixou um recado para os jovens: ‘‘O arquiteto não pode sair da escola apenas como profissional técnico; tem que ter uma formação maior’’. O ato da escrita faz parte do referencial.

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