Um dos trabalhos mais impressionantes comparando o vício de fumar entre jovens e adultos foi preparado sob encomenda da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele mostra que um adolescente demora até sete anos para se livrar dos efeitos da nicotina. ''Já uma pessoa que começa a fumar aos 30 anos consegue 'limpar' seu cérebro da nicotina em seis meses de abstinência'', afirma o psiquiatra Jorge Alberto Costa e Silva, diretor do Centro Internacional de Política de Saúde da OMS. As razões dessa diferença estão sendo investigadas.
O fumo na adolescência é uma preocupação mundial, e não apenas um problema brasileiro. A diferença é o tratamento que os diversos países dão ao assunto. Alguns deles patrocinam ações firmes de combate ao tabagismo entre os jovens. Nos Estados Unidos, o governo mantém uma campanha cujos termos lembram as propagandas antidroga. Intitulada ''Aprenda a dizer não'' e dirigida aos estudantes, conseguiu em apenas dois anos reduzir o índice de experimentação de cigarro de 64% para 55% entre jovens, o que é considerado um número bastante expressivo.
No Canadá, onde 29% dos adolescentes são fumantes, o governo propôs uma mudança radical nos tradicionais avisos que são impressos nos maços. O governo canadense quer convencer as fábricas de cigarro a substituir os alertas pouco convincentes do tipo ''Fumar faz mal à saúde'' por fotografias horríveis com dizeres ainda mais horríveis. Infelizmente o Brasil integra um grupo de países que ainda não tem ações anti-tabagistas voltadas exclusivamente para os adolescentes. (S. L.)

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