Niclevicz vence sétimo cume do desafio
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Filipe Pimentel 
Curitiba
DivulgaçãoPerigoEscalada do Carstensz, que fica na Indonésia (Oceania) e tem 4.848 metros de altitude, foi a mais difícil do desafio, devido a conflitos políticos na regiãoVitória! Às 9h15 do dia 21 de setembro (21h15 do dia 20 no Brasil), o paranaense Waldemar Niclevicz chegou ao topo da mais alta montanha da Oceania, o Monte Carstensz. Com este feito, Niclevicz tornou-se o 28º alpinista em todo o mundo e primeiro sul-americano a concluir o desafio Os Sete Cumes do Mundo, no qual escalou as maiores montanhas de cada continente: Carstensz (Oceania), Everest (Ásia), McKinley (América do Norte), Aconcágua (América do Sul), Vinson (Antártida), Elburs (Europa) e Kilimanjaro (África).
A conquista do Carstensz, com 4.848 metros de altitude, foi a mais difícil de toda a expedição. Menos pelas dificuldades técnicas e muito mais por estar em uma região de conflitos políticos, afirmou Niclevicz. Em novembro de 1995, membros do grupo OMP sequestraram e mataram oito alpinistas indonésios e dois europeus. Desde então o governo proíbe escaladas no Carstensz.
DivulgaçãoEscoltaDurante a escalada, Niclevicz doi escoltado por militares indonésios
Niclevicz passou três meses aguardando que o governo da Indonésia autorizasse para escalar o Carstensz. Até o ministro dos Esportes, o Pelé, tentou via ministério a liberação, disse. O alpinista paranaense só conseguiu a permissão graças a uma complicada operação logística, militar e diplomática, que envolveu um grupo de pessoas que ele prefere manter no anonimato. Graças a este apoio, consegui completar o desafio, disse.
Durante todo o tempo que permaneceu em Iran Jaya, ilha da Indonésia onde o Monte Carstensz está localizado, Niclevicz foi escoltado por seis soldados fortemente armados das Forças Especiais do Exército da Indonésia. Eu até achei um exagero. Mas não conseguia imaginar o perigo que corria se estivesse ali sozinho, comentou.
Niclevicz montou acampamento em Yellow Valley, na base da imponente muralha do Carstensz, dia 19 de setembro. No dia 20 ele fez um reconhecimento e no dia seguinte partiu para o que chama de ataque ao cume da montanha. A escalada aconteceu por uma grande parede de aproximadamente 700 metros de altitude. Todo o percurso foi realizado em solitário, ou seja, sem a companhia de outro alpinista. A rocha era áspera e sólida e por isso pude realizar a escalada no estilo solo (sem equipamento), contou.
O momento mais perigoso aconteceu a 180 metros do cume. Uma fenda de 20 metros só poderia ser ultrapassada com equipamento. Niclevicz conseguiu e aí foi só comemorar.


