Niclevicz festeja outra conquista
Arquivo FolhaNiclevicz: antecipando expedição ao K2, que só ocorreria em 99
O alpinista paranaense Waldemar Niclevicz, o ‘‘Pio’’, voltou ontem a Curitiba, onde comemora mais uma façanha: a escalada do Shisha Pangma e do Cho Oyo, ambos no Paquistão. Com isso, ele conseguiu cumprir metade do projeto K2, de escalar as principais montanhas do planeta. Niclevicz enviou ontem um e-mail para a Folha para relatar suas aventuras, falar brevemente da Copa do Mundo e declarar seu amor pelo Atlético Paranaense.
Estimados amigos da Folha do Paraná!
Desculpem o atraso, mas estou na correria normal de todo fim de viagem. Poucas vezes me recordo de sentir tanto orgulho por haver escalado uma montanha. E agora foram duas, duas com mais de oito mil metros de altitude (e num intervalo de apenas nove dias). Algo que eu só via em livro ou em filme, e de repente lá estou eu, com a bandeira brasileira, no alto da 13ª e da sexta maiores montanhas do mundo, quase na mesma semana, tudo num mesmo sonho. Peço desculpas, mas pela primeira vez sinto orgulho de uma conquista, orgulho, porque um brasileiro que escalou duas montanhas de oito mil metros numa mesma expedição... Tais montanhas só haviam sido escaladas assim por outras duas pessoas do mundo. É o que sinto ao ter concluído metade do Projeto K2.
Lá vai um furo para a Folha do Paraná: dia 8 de junho estamos partindo para escalar o K2, antecipando a expedição que só ocorreria no ano que vem, em razão dos excelentes resultados atingidos na primeira expedição. Tudo será revelado na próxima semana. Chego a Curitiba neste sábado, às 9 horas.
Adianto que eu e Abele (alpinista italiano, parceiro de escaladas) fomos convidados (já faz mais de um ano) para participar, com outros quatro italianos, da primeira tentativa de repetir a via mais difícil do K2, a Magic Line, escalada por uma dupla de poloneses em 86 (que morreu na descida) e que nunca mais foi repetida. A princípio tínhamos recusado o convite, mas antes de vir ao Nepal/Tibete, em reunião com os nossos amigos, na Itália, decidimos aceitar se tudo desse certo na nossa viagem. Como deu certo, estamos indo enfrentar o K2 já no próximo mês, aumentando as chances do projeto K2 ter êxito absoluto. Se der errado este ano, poderemos tentar outra vez ano que vem.
Devo acompanhar a Copa do Mundo pela Internet, lá do Paquistão. Espero que no intervalo as pessoas possam acessar o meu site www.sagarmatha.com.br para sentir um ‘‘frio’’ na barriga e lembrar que brasileiros jogam mais do que apenas futebol. Não estamos muito bem de dinheiro. Infelizmente ainda não conseguimos vender a última cota de patrocínio (96 mil dólares). O problema é que o Boticário e a Nutrimental estão pagando parcelado o patrocínio, até maio de 1999, conforme contrato firmado, assim as grandes despesas de aquisição de equipamento e a primeira expedição fizeram que a gente ficasse no vermelho. A Sagarmatha, minha empresa, está dando uma ajuda ao caixa do Projeto K2, senão a gente estaria em sérias dificuldades. Esperamos um último patrocinador em breve para poder sanar este problema e respirar tranquilo.
Como todo fanático, espero muito poder ver o Atlético Paranaense estourando a rede do adversário nas finais. Carreguei o tempo todo uma pequena bandeira rubro-negra na minha mochila, até o alto da montanha. Pena que o tempo não permitiu a foto histórica, mas o amor pela camisa atleticana é mais importante do que as imagens.

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