Niclevicz está a uma montanha do final do desafio
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sábado, 09 de agosto de 1997
Filipe Pimentel 
Curitiba
DivulgaçãoDeterminaçãoNiclevicz treina no Chopicalqui, no Peru: Há a possibilidade de escalar o Carstenz, na Indonésia, clandestinamenteO alpinista paranaense Waldemar Niclevicz, que há cerca de um ano iniciou o projeto Os Sete Cumes do Mundo, espera ansioso a permissão do governo da Indonésia para escalar o Monte Carstenz, na ilha de Nova Guiné, último desafio do projeto. Os conflitos na região estão dificultando a liberação, por parte do governo, da autorização para escalar o Carstenz, disse Niclevicz. A região está fechada para estrangeiros há mais de dois anos.
Em vista das dificuldades, Waldemar Niclevicz está disposto a escalar a montanha mesmo sem permissão oficial. O alpinista faz contatos diários, via Internet, com amigos que estão na Indonésia, e anima-se com bons contatos que estão empenhados em organizar a viagem porduas frentes, a oficial e a não-oficial. Há a possibilidade de escalar o Carstenz clandestinamente, revela. Niclevicz disse que uma empresa da Indonésia se dispôs a levá-lo para o país e depois, com uma escolta militar, conduzí-lo até a base do monte.
No projeto Os Sete Cumes do Mundo, Waldemar Niclevicz se propôs a escalar os pontos mais altos da América do Sul (Aconcágua, com 6.959 metros), América do Norte (McKinley, com 6.194 metros), Europa (Elbrus, com 5.642 metros), África (Kilimanjaro, com 5.895 metros), Ásia (Everest, com 8.848 metros), Antártida (Vinson, com 4.897 metros) e Oceania (Carstenz, com 4.884 metros).
A demora na conclusão do projeto está atrapalhando planos futuros. Tenho propostas para outros projetos, que acabam ficando amarrados porque ainda não consegui completar este, diz o alpinista. Um dos desafios mais importantes, de acordo com Niclevicz, está sendo mantido em segredo: Fui convidado para escalar outra montanha do Himalaia, mais difícil que o Everest e que até hoje nenhum outro brasileiro sonhou escalar, revela.
Escalando - Enquanto aguarda uma definição quanto à autorização para escalar o Carstenz, o alpinista se lança a outros desafios para não ficar parado. Embora treine diriamente, enquanto a permissão não vem, vou escalando montanhas da América do Sul, disse Niclevicz.
Seu último desafio aconteceu nos Andes Centrais, na última quinzena do mês de julho. Ele escalou os montes Vallanaraju, de 5.686 metros, e Chopicalqui, de 6.354 metros de altitude. Estas duas montanhas ficam na chamada Cordilheira Blanca, a cordilheira tropical mais alta do mundo, situada a 400 quilômetros de Lima, no Peru.
Antes de escalar o Chopicalqui, mais alto, Niclevicz enfrentou o Vallanaraju para se aclimatar. A escalada do Nevado Chopicalqui começou dia 24 de julho, em companhia do peruano Marcos Vargas. Niclevicz conquistou o cume no dia 26, às 8h.
Mas a grande aventura começou na descida. Niclevicz encontrou dois alpinistas franceses que não conseguiam prosseguir na escalada. O grupo, agora de quatro pessoas, começou então a descer. Os franceses foram na frente, mas quando chegaram a uma greta (fenda que se abre no gelo), foram surpreendidos pela instabilidade da parede superior, que quebrou, levando os dois franceses para o fundo do precipício.
Eles estavam poucos metros na minha frente. Vi tudo, lembra Waldemar Niclevicz. Ele imediatamente começou a preparar o resgate dos dois colegas. A primeira coisa que fiz foi cravar uma estaca no gelo e jogar uma corda para os dois. Eles não responderam. Então desci, contou. Quando se aproximou dos franceses, o alpinista paranaense percebeu que um deles tinha uma fratura exposta.
Durante quatro horas, nos esforçamos para resgatar os dois, conta. Na descida foi improvisada uma tala para imobilizar a fratura e uma maca do tipo charuto, onde o corpo do ferido foi amarrado com cordas. Quando chegaram ao acampamento, o companheiro de Niclevicz, Marcos Vargas, foi até a cidade de Huaraz providenciar o resgate. Se não estivéssemos ali perto, provavelmente os dois teriam morrido, disse Niclevicz.


