O alpinista brasileiro Waldemar Niclevicz e equipe desistiram, neste final de semana, de tentar escalar o K2 neste ano, em função das más condições de tempo encontradas após conseguirem chegar ao acampamento 4, instalado a 8.050 metros. A montanha K2 (no Paquistão) é a segunda mais alta do mundo, com 8.611 metros e é considerada a escalada mais difícil entre os alpinistas de alta montanha de todo o mundo.
Uma série de avalanches e várias tempestades de neve impediram o prosseguimento da escalada e Waldemar conseguiu descer no domingo em segurança até o acampamento-base, localizado a 5.100 metros. ‘‘Localizamos dois corpos de alpinistas, que infelizmente não tiveram a mesma sorte que a nossa. Em vários trechos tivemos que praticamente engatinhar, já que havia neve até a cintura. Passamos maus bocados, mas voltamos vivos e mais experientes’’, disse o alpinista, via telefone mundial.
A licença para escalar o K2, emitida pelas autoridades paquistanesas, vence no próximo dia 25 de agosto. Não haveria mais tempo, portanto, para preparar uma nova investida, além de todos os membros da equipe estarem exaustos, como resultado de mais de dois meses de tentativas em altitudes elevadas.
Waldemar tentará escalar o K2 novamente no próximo ano. Sua chegada ao Brasil deverá ocorrer nas próximas duas semanas.
O sonho da escalada do K2 começou em março deste ano, quando o alpinista conquistou o Shisha Pangma, a 13ª maior montanha do mundo, localizada no Tibete, com altitude de 8.046 metros. Ali começou a primeira de uma série de montanhas, que foram sendo escaladas para proporcionar uma melhor aclimatação aos alpinistas. O Shisha Pangma foi conquistado no dia 14 de maio, às 11h28m (horário da China). Era a primeira vez que o monte era escalado por um brasileiro. Em seguida, o alpinista brasileiro escalou Cho Oyo, no dia 23 de maio, às 9h20m (horário do Nepal - 8h e 40m a mais em relação ao Brasil) com 8.201 metros de altitude, a sexta maior montanha do mundo, situada na fronteira do Nepal com a China.
Foram apenas nove dias para que Waldemar Niclevicz conseguisse escalar duas das 13 maiores montanhas do mundo, ambas localizadas no Tibete e completasse com sucesso a primeira fase do projeto K2. Waldemar retomou a expedição no dia 9 de junho, indo diretamente para o K2, situado na fronteira do Paquistão com a China.
O programa inicial da expedição era a escalada das duas montanhas (Shisha Pangma e Cho Oyo), depois o Makalu (8.463 metros) na fronteira do Nepal com a China; e, finalmente, a terceira expedição, de maio a agosto, ao K2. A mudança de planos ocorreu devido à situação entre o Pasquistão e a China que deixou Waldemar receoso de não obter autorização para escalar o K2.Arquivo FolhaPerigoO alpinista Waldemar Niclevicz enfrentou avalanches e teve de deixar para o ano que vem a escalada ao K2Avalanches e tempestades de neve impediram o prosseguimento da escalada e não daria mais tempo para retomar
‘‘Em vários trechos
tivemos que
engatinhar, já que havia
neve até a cintura’’

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