Niclevicz começa hoje ataque final ao K2, no Paquistão
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de junho de 1998
Marcos Freitas 
Especial para a Folha
O alpinista paranaense Waldemar Niclevicz (foto) começa hoje a escalada do monte K2, o mais difícil do mundo. Após 18 dias de viagem até chegarem à base do K2, onde a altitude passa dos cinco mil metros, ele e sua equipe devem demorar ainda de três a quatro semanas para chegar ao topo da montanha. Antes de começar a escalada, a Folha falou com Niclevicz através de um word fone. Ele estava no acampamento-base no K2, no Paquistão (Ásia).
Depois do acidente que vitimou dois integrantes da expedição, há duas semanas, Niclevicz disse que o trauma está superado apesar da lembrança trágica de seus colegas mortos no gelo. Sabíamos do perigo e estávamos preparados para tudo, disse. Porém, nunca conseguiremos nos acostumar com a morte. Segundo ele, mesmo com o acidente, a expedição chegou até a base do K2 com alguns dias de antecedência. E Niclevicz se encanta ao falar da montanha. Aqui é muito mais bonito do que imaginávamos, contou. Nem o Everest tem essa beleza.
O local fica a 95 quilômetros do vilarejo mais próximo. A cidade mais perto está a 250 quilômetros de distância. O frio é um companheiro inseparável. Quase todos os dias a temperatura está abaixo de zero. O frio só vai aumentar daqui para a frente, contou. Mas este não é o único desafio da expedição. A última vez que eles tomaram banho foi no dia 20 de junho. E a próxima vez só deve acontecer dentro de um mês. Niclevicz disse que está realizando um sonho, talvez o maior de todos de sua vida, mas ele confessa que teme pelo insucesso da jornada, uma vez que o K2 é, como diz, o maior desafio de sua carreira.
A alimentação da equipe é à base de pão, água e carne de cabra. O pão é feito pelos paquistaneses da equipe, que misturam farinha integral, água e sal até formar uma massa consistente. Depois formam uma espécie de pão achatado que é assado sobre uma chapa de lata. Outro tipo de pão é o chapati, bem mais fino, que depois de assado é tostado no fogo.
A solidão na montanha só é quebrada quando chega algum e-mail enviado por amigos. Ele conta que quase não tem notícias do Brasil pois para acessar a Internet, além de muito demorado, é caro demais. Só usamos o computador em situações de emergência, disse. Niclevicz falou ainda que não está acompanhando os jogos do Brasil no Mundial da França. Ele e alguns italianos da expedição ligam o rádio por satélite e obtêm informações sobre as seleções. Mas ele garante que não há rivalidade - o clima na montanha é de perfeita união.DivulgaçãoCarregadores paquistaneses assam o pão chapati, uma massa fina que depois é tostada no fogo para alimentar a equipe, junto com carne e água
DivulgaçãoFotos enviadas via Internet mostram o acampamento-base da equipe do paranaense Waldemar Niclevicz, no pé do monte K2, no coração da ÁsiaChegar ao topo não é
o único desafio. O
último banho foi no
dia 20 de junho


