Ney Braga ouviu um coro: Universidade para Londrina
Com a diocese, a igreja-matriz de Londrina (sede) passa a catedral; a igreja episcopal, a que tem bispo. E os cursos superiores, quase impossíveis no interior, passaram a ser autorizados na década de 60, o de Odontologia instalado no porão da catedral. Prenúncio da universidade, em breve.
Quando Londrina pertencia à Diocese de Jacarezinho, o bispo d. Geraldo Sigaud tentou "abortar" a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, indo à Assembleia Legislativa pressionar os deputados para que rejeitassem o projeto de lei. "A faculdade seria de protestantes", alegou. Imediatamente o deputado Zaqueu de Melo, proponente e diretor do Instituto Filadélfia, interveio com uma alteração: não será evangélica nem particular, mas uma faculdade pública. "Driblou" o bispo e obteve a aprovação, em 25 de janeiro de 1956. Seria autorizada, porém, somente em fevereiro de 1958.
Na eleição de governador em 1960, d. Geraldo Fernandes naturalmente preferia Ney Braga, candidato pelo Partido Democrata Cristão (PDC), eleito com 25 mil votos de diferença sobre Nelson Maculan, empresário londrinense inscrito pelo PTB e que os adversários afirmavam ser comunista.
O novo governador nem havia "esquentado a cadeira" quando d. Geraldo e os empresários Lizandro de Almeida Araújo e Anélio Viecilli (dono da maior empresa de táxi aéreo do país à época) adentraram o gabinete. Ney os recebeu efusivamente. E ouviu um coro: "Universidade para Londrina". Estupefato, ponderou que precisaria consultar o bispo de Curitiba antes de responder. "O senhor ainda poderá ser um grande governador, mas continua sendo o melhor prefeito de Curitiba", atalhou Lizandro.
Mais tarde presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Lizandro recordava o fato e que havia se naturalizado brasileiro ao entrar na campanha de Ney. Antes que algum adversário dissesse que no palanque tinha um estrangeiro denunciado pelo forte sotaque português.
Ideologia na CNBB
Em 1979, d. Geraldo Fernandes escreve ao presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Ivo Lorscheiter, por estranhar que a entidade "não tenha tomado nenhuma atitude diante das interpolações (alterações) tendenciosas do texto de Puebla feitas por três editoras" no Brasil. Ele havia participado da 3ª Conferência Geral dos Bispos Latino-Americanos, em Puebla (México), origem dos textos mencionados, nos quais aponta "interpolações tendenciosas" feitas no Brasil. Sobre a próxima assembleia da CBNN, adverte: "Creio que estando o Governo da República tentando bem ou mal uma abertura, creio que passou também para a CNBB o tempo de ser dirigida por um grupo, por uma ideologia, pelo menos nas suas assembleias". (W.S.)





