Neurologistas deixam de atender na Santa Casa
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quinta-feira, 24 de junho de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Médicos plantonistas do setor de neurologia da Santa Casa de Londrina reuniram-se ontem à noite com a diretoria do hospital em uma tentativa de resolver um impasse provocado desde o dia anterior, quando 11 dos 12 profissionais retiraram-se da escala em protesto pela não remuneração fixa do plantão. Os profissinais recebem por consulta pelo SUS mas argumentam que têm direito a um salário por conta do tempo que ficam à disposição do sistema. A Santa Casa é hospital de referência do SUS na região em neurocirurgia e neuropediatria e divide a demanda com o Pronto Socorro (PS) do Hospital Universitário (HU).
Nesta semana, o atendimento na Santa Casa não chegou a ser muito afetado porque era escala do único plantonista fora do movimento, o superintendente do hospital, Fahd Haddad. O hospital atende de 20 a 30 consultas de neurologia por semana. Dentre os especialistas plantonistas, os neuros são dos mais requisitados já que atuam em praticamente todas as situações de traumas.
Cada consulta é remunerada pelo SUS em R$ 7, dos quais R$ 5 são repassados aos médicos que ficam à disposição do hospital 24 horas durante uma semana. A remuneração fixa foi aprovada através de parecer do Conselho Federal de Medicina no início de 2003 e as negociações para implantação do pagamento, no valor de R$ 180, iniciaram em fevereiro desse ano. Em maio, depois de uma reunião com gestores, diretoria e Ministério Público (MP), os médicos deram um ultimato de um mês, encerrado essa semana.
''Não queremos prejudicar o hospital nem a população, mas chega uma hora que temos que dar um basta'', afirma o presidente da Cooperativa de Neuro do Norte do Paraná, Pedro Garcia Lopes, que também é plantonista. Ele argumenta que houve pouco interesse da diretoria do hospital e da secretaria de Saúde, que é o gestor do SUS, em resolver o assunto. ''A secretaria diz que a responsabilidade é do hospital e o hospital diz que não tem dinheiro'', afirma.
A Folha tentou entrar em contato com o diretor clínico da Santa Casa, Marcos Abel Menezes, mas a assessoria informou que o hospital só se manifestaria sobre o assunto hoje. O secretário de saúde de Londrina, Sílvio Fernandes, afirmou ontem que o município não vai pagar pela remuneração. ''Não há impasse, essa é uma responsabilidade do hospital'', diz.
Sobre o impacto da saída dos plantonistas sobre o serviço, Fernandes disse que a secretaria vai acompanhar a situação. ''Nossa expectativa é que o impasse se resolva mas se houver necessidade podemos tomar medidas jurídicas'', disse.
O promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, também afirmou que, por enquanto, o MP está apenas acompanhando o caso. ''Não quero me antecipar, o MP sempre vai atuar em defesa da sociedade mas o gestor é que administra o sistema e precisa resolver os problemas''.


