Neonazistas tinham plano de dominação
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domingo, 10 de maio de 2009
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná descobriu, há duas semanas, que a morte do casal Bernardo Dayrrel Pedroso, 24 anos, e Renata Waeschter Ferreira, 21, ocorreu em razão de uma disputa interna no movimento neonazista brasileiro. Dayrrel era um dos líderes nacionais e seu opositor, Ricardo Barollo, 34, já preso como suspeito, o mandante do crime, segundo a polícia. Os dois entraram em atrito depois que o primeiro assumiu o comando de uma célula paramilitar sem a aprovação do segundo.
Entretanto, o duplo assassinato é apenas uma das faces de uma organização que tinha como um dos objetivos se infiltrar na política de Quatro Barras (onde ocorreu o crime), Região Metropolitana de Curitiba, e em outras três cidades do Sul do País. A ação seria um primeiro passo para entrar de vez no cenário paranaense e brasileiro.
A FOLHA teve acesso a relatos de integrantes do movimento ligados a Barollo, explicando que a ideia era chegar, aos poucos, ao poder e se estabelecer por meio de estruturas de organização divididas em células: política, paramilitar e de propaganda. O plano leva o nome de Neuland (''nova terra'', em alemão) ou simplesmente ''Projeto''.
O investimento em propaganda é pesado. Envolve sites, revistas e camisetas, financiados a partir de uma contribuição mensal mínima de R$ 30. O site de relacionamentos Orkut é um dos instrumentos de persuasão, assim como programas de mensagem instantânea. ''As pessoas se conhecem por MSN'', afirma o integrante do grupo.
Se a propaganda não funcionar, o uso da violência não é descartado. ''Para isso foi criada a célula paramilitar. Se existisse alguma barreira, alguém que não quisesse se ligar ao projeto, ela seria eliminada'', diz o jovem de 21 anos.
A exemplo do nazismo, a política tem grande importância no movimento. Os apontados como ''políticos'' do grupo são responsáveis por transmitir pensamentos e objetivos, além de trazer novos adeptos. Segundo relato, já são cerca de 300 simpatizantes espalhados pelo Brasil.
O processo foi interrompido pela ação da polícia paranaense. De acordo com informações levantadas pela FOLHA, há integrantes no Paraná (em Londrina e Curitiba), Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Bahia.
As autoridades, agora, investigam outras ações ligadas a esses grupos, como mortes envolvendo skinheads no Paraná. Porque os adeptos do ''Projeto'' não se consideram skins, mas afirmam que a participação nessa tribo urbana pode ser uma porta de entrada para o movimento.
Apesar do desmonte da organização, há ainda a preocupação com possíveis novos conflitos entre seguidores de Barollo e Dayrrell, motivados por vingança.
O advogado de defesa de Barollo, Adriano Sérgio Nunes Bretas, afirma que seu cliente não tem qualquer ligação com o movimento neonazista e garante que a polícia tem colocado obstáculos para a defesa ter acesso aos autos do inquérito. ''Em hipótese nenhuma meu cliente foi mandante de homicídio'', diz. De acordo com ele, os depoimentos das testemunhas que apontam Barollo como líder neonazista são ''completamente questionáveis''.
''Eu não sei o teor efetivo do que foi dito. Mas essas pessoas não disseram isso em um primeiro momento. Toda investigação é muito nebulosa'', argumenta. Hoje a defesa deve impetrar um pedido de habeas corpus para colocar Barollo em liberdade. (Colaborou Omar Godoy)


