A Copel previa que a operação seria a maior entre todas as já realizadas em seus reservatórios e ofereceria importantes subsídios para estudos sobre a padronização de salvamentos na fase de enchimento. A empresa chegou a realizar um encontro de pesquisadores de vários estados, no canteiro-de-obras de Caxias. A maioria enfatizou durante o evento que barragens são sinônimo de perda de biodiversidade, mesmo quando ela é pouco expressiva, como se comprova em Caxias.
Os especialistas insistiram na necessidade de que os impactos sobre as formas de vida sejam minimizados e disseram que nenhuma barragem serve como modelo, por melhores que sejam os projetos ambientais e menores que sejam os impactos. Para eles, barragens só deveriam ser construídas onde, pelas condições do terreno, os impactos efetivamente fossem mínimos. Mesmo submetidos à operações de resgate, os animais são dissociados de seu habitat.
Em locais para onde forem transferidos, os nichos podem já estar ocupados por outros animais e não sobrará espaços para os ‘‘intrusos’’. A bióloga catarinense Beloni Martere defende que, quando for impossível não afetar seu habitat, devem ser definidas unidades de conservação próximas às futuras margens dos alagamentos. Nesse caso, o novo local deve ter características semelhantes ao habitat, para que ocorra deslocamento espontâneo. ‘‘Porque lugar de bicho é mato’’.
Segundo a bióloga, uma das consequências da redução da diversidade das espécies é o acasalamento entre animais de uma mesma família. A consanguinidade pode levar à doenças e dizimar espécies. As doenças genéticas e a redução das florestas preocupam também a organização não-governamental Associação Mata Ciliar, que atua com a Universidade de São Paulo em um Plano de Manejo para Pequenos Felinos Brasileiros.
De oito espécies de felídeos cadastrados em todo o País pelo Plano, sete estão em risco flagrante de extinção, como é o caso da onça-pintada, da suçuarana e da jaguatirica. A preocupação com a biodiversidade leva em conta o fato de o Brasil ter a maior variedade animal do mundo, mas ao mesmo tempo ser o segundo em número de aves e quarto em número de mamíferos sob risco de extinção. No caso de áreas impactadas por barragem, a previsão de mais 200 obras do gênero no País afetarão a vida de 10 milhões de animais das diferentes espécies.
Muitos dos bichos resgatados em Caxias estão sendo levados para zoológicos e para a Estação Ecológica do Rio Guarani, com 2,2 mil hectares e florestas preservadas, adquirida pela companhia em Três Barras do Paraná, nas imediações da barragem. Na estação sobrevive, entre outras espécies, a muçurana, com até 2 metros de comprimento, que come outras serpentes e é imune ao veneno, menos a da coral. (P.P.)

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