Nem todo abusador é pedófilo
Curitiba - Todo pedófilo é um criminoso sexual. Mas nem todo abusador é um pedófilo. No primeiro caso, a psicologia explica que o agressor tem preferência sexual por crianças, na maioria das vezes menores de 13 anos. Esse desejo pode ser manifestado apenas na fantasia ou na realidade. Isso exige que o autor do crime tenha 16 anos ou mais e a diferença de idade em relação ao agredido seja de, no mínimo, cinco anos (obrigatoriamente criança ou adolescente).
Já o abusador que não pode ser considerado pedófilo pratica o ato sexual em casos situacionais. O agressor enfrenta estado de poder em relação à criança e sente prazer nesse momento. Isso ocorre com babás, em uma guerra, presídios e demais situações de domínio. Fora daquele ambiente ele não sentirá prazer em abusar de menores de idade. O psiquiatra Wesley Humming explica que casos de pedofilismo enquadram-se na mesma categoria de outros transtornos sexuais como necrofilia (atração por óbitos) e sadomasoquismo.
No consultório de Humming, 10% dos pacientes já foram abusados sexualmente. A maioria das vítimas são os filhos dos agressores. O uso de álcool está diretamente associado à agressão. Mas isso não é regra. ''Até os 14 anos é formada a personalidade e sexualidade do indivíduo. Se sofre abuso há uma série de modificações nessa personalidade'', explica o psiquiatra.
O autor do crime sexual raramente procura ajuda por conviver tranquilamente com os desejos que sente. Casos isolados ocorrem quando a família descobre e pede para que ele procure ajuda. Também existe a possibilidade de realizar estimulação magnética através de partículas radioativas para quebrar os níveis de metabolismo no cérebro. Isso diminui o pensamento obsessivo do pedófilo.
''Na maioria das vezes os pacientes agredidos sexualmente chegam com queixas de dor de cabeça ou depressão. Algumas consultas depois, descobrimos que o trauma vivido está relacionado a casos de agressão sexual na infância'', conta Humming. Ele alerta que crianças que sofrem abusos apresentam mudança de comportamento como insônia, medo, irritação e ansiedade, além de ter grande probabilidade de se transformar em um abusador. Mas quando existe apoio familiar, aliado ao tratamento terapêutico, a probabilidade diminui.
O psiquiatra conta que o pedófilo não diferencia crianças que considera bonitas e feias. Tudo é uma questão de proximidade. A cura contra esse transtorno não existe, mas com o constante tratamento é possível controlar os impulsos sexuais. (D.C.)





