Nem sempre uma noitada londrinense termina em um programa de acontecimentos inesquecíveis. Aquelas duas amigas que resolveram, num sábado desses, curtir a noite, que o digam. Haviam planejado um fim de semana – a começar pela noitada do sábado – para descontar a tensão da semana profissional, deduzir pendências emocionais causadas por problemas familiares e aliviar, de maneira expressiva, as brigas dos últimos dias com os namorados.
Londrina estava fria naquele dia, mas as previsões das meninas tinham temperatura aconchegante. Até combinaram com outras duas amigas um ponto de encontro, onde imporiam um limite para as conversas e os atos: um tempo curtíssimo para as conversas sobre os problemas da semana; um tempo curto para os olhares furtivos aos rapazes da casa noturna onde iriam e todo o resto para alegria, o que incluía cantar desafinadamente e beber um pouco mais que a conta.
O plano era bom, não havia dúvida. E tudo daria certo não fosse o incidente que surgiu, como se fosse uma barreira desaforadamente colocada, logo no início do programa. As duas amigas, paradas diante de um bar tradicional e muito bem frequentado de Londrina, estavam diante de um guardador de carros, desses que se dão ao direito até de entregar às pessoas que caem em suas mãos uma espécie de senha e impõem valor:
– Tá sabendo, né, moça. Aqui a gente cobra três reais para cuidar dos carros. É três e pode ficar tranquila. Ninguém mexe no seu carro.
A princípio desnorteadas, elas tentaram ponderar com o guardador, um tipo aparentando cerca de 40 anos e de roupas rotas e sujas.
– Não é assim que funciona, meu senhor. O senhor pode até olhar o nosso carro, mas nesse seu negócio não existe senha e é a gente que dá uma contribuição, do valor que o senhor merecer.
– Pode ser em outro lugar. Aqui não. Aqui é três. Se não for assim, pode aparecer até um risco no seu carro.
– O senhor está ameaçado?
– Só estou avisando.
Por precaução, as amigas apenas esperaram a chegada das outras duas companheiras, do lado de fora do bar, e decidiram, as quatro, por um local em uma região mais calma da cidade. Onde engoliram cervejas e petiscos com mais dificuldade, falaram menos e foram embora com a impressão que o fim de semana havia terminado mal, quando ele ainda nem havia começado.

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