O cão é tido como o melhor amigo do homem, mas essa relação nem sempre é tranquila, principalmente quando o animal está defendendo seu território de ''intrusos''. O problema é quando o ''invasor'' é um prestador de serviços, como o carteiro, leiturista de água ou de energia elétrica e agentes municipais de endemias.
Andréa Cristina Suzano Rocha, leiturista da Copel, conta que nunca teve a mão ou pé atacados por um cão, mas a calça e a bota foram várias vezes alvos de animais. ''Uma vez um cão conseguiu escapar do quintal, sorte que eu consegui entrar no imóvel ao lado, caso contrário, teria sido mordida'', conta. Para ela, o problema maior é a falta de consciência dos donos, que acham que o animal nunca vai atacar.
Para tentar evitar os problemas, ela conta que, além do treinamento oferecido pela empresa, os próprios leituristas trocam informações. ''Quando a gente pega uma rota nova, quem fazia anteriormente sempre passa as dicas de onde tem cachorro que oferece perigo.''
Outro problema identificado pela profissional é que muitas pessoas constroem o canil justamente no mesmo canto do quintal onde fica o medidor de energia. Além disso, os animais soltos nas ruas são os que mais oferecem perigo, já que podem perseguir o leiturista.
Com o intuito de conscientizar a comunidade e diminuir os acidentes, a Copel está desenvolvendo, com apoio do Hospital Universitário Cajuru, de Curitiba, a II Campanha de Conscientização e Prevenção de Acidentes com Cães. De acordo com Valter Luiz Sagionetti, gerente da divisão de leitura da Copel na Região Norte, a campanha começou na Capital, no primeiro semestre, e agora está sendo feita em outras regionais.
''A campanha é importante porque quem não percebe que o cão oferece riscos é alertado. Distribuímos 150 mil filipetas em Londrina, com foco nos domicílios das regiões onde há mais cães. Posteriormente entregaremos em todas as residências. Tivemos um aumento de 'quase acidentes' e, por isso, estamos fazendo a campanha. Antes eram notificados apenas os casos de mordidas, agora pedimos que qualquer incidente seja relatado. Por isso esse aumento nas estatísticas'', explica.
Neste ano foram três acidentes, sendo dois com funcionários da companhia e um com um trabalhador terceirizado. Em 2011, foi registrado apenas um. ''Em uma dessas ocorrências foi necessário o afastamento do colaborador por sete dias'', revela Sagionetti. Quanto aos ''quase acidentes'', no ano passado foram registrados quatro e neste ano, até agosto, foram nove notificações.
Sagionetti lembra que os profissionais que vão fazer ligações e manutenção na rede também correm riscos. Segundo ele, anualmente os leituristas participam de cursos, inclusive com instruções da Polícia Militar, sobre como agir nas situações envolvendo animais. ''Se não conseguirmos fazer a leitura, até tentamos uma outra vez, senão emitimos a fatura por uma estimativa de consumo. Sempre consta na fatura o dia da próxima leitura e pedimos que o morador deixe o animal preso nessa data, para não haver problemas.''
A artesã Eliane Rosa de Andrade tem dois cães, um deles de grande porte. Consciente dos riscos que a localização da caixa de correspondências oferece, ela conta que já planejou trocá-la. ''Como a casa é alugada já pegamos assim, mas pretendo trocar. Quanto a prender o cachorro é mais complicado, ele fica solto justamente para nossa segurança'', justifica.
A autônoma Daniela Colombo Munhoz tem um cão de médio porte no quintal, que também tem acesso a todo o espaço. ''Ele é bem manso, por isso nunca me preocupei. Também não tinha ouvido falar da campanha, mas acho importante'', comenta.
Agentes de endemias
Segundo a assessoria de imprensa da Sanepar, neste ano foram registrados dois acidentes envolvendo cães, um em janeiro e outro em março. O setor de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, informou que neste ano já foram registrados 10 comunicados de acidentes de trabalho, sendo a maioria de mordidas de cachorros.

Imagem ilustrativa da imagem Nem sempre o melhor amigo do homem
| Foto: Fotos: César Augusto
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