Nem pobre escapa da ação dos marginais
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2003
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Ele e o irmão moram em uma casa simples, de apenas dois cômodos, em um dos bairros mais afastados do centro de Londrina. Assim, o vendedor ambulante Paulo Barros, 26 anos, jamais imaginaria que um grupo de marginais poderia invadir sua residência, roubar os únicos eletrodomésticos que possui e ainda esvaziar o armário que continha os poucos alimentos para o jantar.
O furto foi percebido por volta da meia-noite de anteontem, na Rua Monte Reis, no Jardim Campos Verdes (zona oeste), quando Paulo e Natalício Barros, 32, chegaram do trabalho. As portas de metal da sala e do quarto ficaram retorcidas. Além da comida, os ladrões levaram uma máquina de lavar, um rádio, dois botijões de gás, um relógio e R$ 30,00.
''Sofremos para conseguir comprar a máquina, tanto que ainda não estava paga. Os bandidos agora não respeitam nem casa de pobre'', dasabafou Paulo, dizendo que tinha alguns suspeitos em mente (pessoas vindas de bairros vizinhos).
Na manhã de ontem, enquanto Paulo fazia o levantamento do prejuízo, Natalício havia saído cedo em busca de uma casa para alugar. ''Nós ganhamos esta casa da igreja e estamos tentando cuidar do terreno, mas fica difícil quando não se tem asfalto e esgoto. Nem mesmo o mato é roçado pela prefeitura'', lamentou o vendedor. A casa dos irmãos Barros fica na última quadra da rua, que termina num matagal perto do morro.
Paulo também criticou a maneira como foi atendido pela Polícia Militar, dizendo que os soldados teriam agido grosseiramente. ''Eles comentaram que nem deveriam estar aqui e disseram que era para eu procurar no mato'', afirmou. O Jardim Campos Verdes é tido pelas polícias Civil e Militar como um dos locais usados como esconderijo de marginais, principalmente devido ao fato de estar próximo a uma mata nativa.
Os próprios moradores admitem que há gangues, traficantes e até homicidas no local, mas destacam que o bairro era tranquilo até ser ocupado por 'gente de fora'. ''Já vimos corpo sendo 'desovado' por perto e gente circulando com armas na cinta. Mas tem pessoas de bem vivendo aqui, pedindo segurança e atenção da prefeitura'', disse uma moradora de 48 anos, que pediu para não ser identificada.


