Paulo WolfgangIppul, socorro!O Camelódromo, ontem: novo projeto de cobertura sai quinta-feira O calor está esquentando os ânimos dos vendedores instalados no Camelódromo. A temperatura no local, que é coberto com lonas, chegou ontem a 40 graus, segundo o presidente da Associação dos Camelôs de Londrina, Jadir Sales. ‘‘Já foi liberada a construção de novas coberturas para o Camelódromo, e até agora nada. O Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) não libera o projeto’’, reclama Sales.
Ontem, sob um calor insuportável, ele dizia que estava disposto a fechar o Camelódromo hoje e descer até a Prefeitura com todos os camelôs, para tentar pressionar o Ippul a liberar o projeto imediatamente. ‘‘Não aguentamos mais isso. Além do calor, os fregueses não entram aqui. Na entrada eles já sentem o calor e dão meia volta.’’
No Ippul, as informações são de que o projeto da cobertura está sendo concluído e que o prazo para entrega é quinta-feira.
Enquanto os camelôs reclamam do calor no interior das barracas, há pessoas que já se acostumaram. Não há temperatura que os faça mudar de roupa. A irmã Santana Cordeiro, 58 anos, do Instituto Coração de Maria, não tira o hábito nem mesmo quando está de férias.
‘‘O calor é realmente forte. Mas eu estou acostumada a, desde criança, usar roupa mais pesada. Eu trabalhava na roça e lá a gente tinha que se proteger do sol e dos pernilongos. Então não ligo para o calor,’’ diz a religiosa. Recentemente, ela viajou de férias para Sertãozinho, no interior de São Paulo, onde os termômetros marcavam 36 graus, e mesmo assim manteve a vestimenta o tempo todo. ‘‘Todo mundo perguntava como eu aguentava. Eu adoro o hábito, nunca penso em tirar.’’
O juiz classista Osvaldo Guirro comenta que não é obrigatório o uso do terno e gravata nas audiências, mas ele nunca entra em uma sem estar devidamente vestido - esteja frio ou calor. ‘‘Já se convencionou usar terno e gravata. Nas salas tem ar condicionado; na rua, tiro o paletó.’’
Mas há aqueles que não carregam o paletó nas costas nem debaixo de um sol de 35 graus. O advogado Luiz Negrão, outro que já está acostumado a passar calor, só tira o terno e a gravata quando chega em casa, à noite. ‘‘Não somos obrigados a usar, mas é uma forma de distinção, embora muitas vezes sejamos confundidos com pastores evangélicos’’, brinca o advogado. Para ele, mesmo com o uso do terno, a cabeça continua arejada.
Londrina registrou, no último domingo, a temperatura mais quente do ano - 35,8 graus - mas ontem os termômetros não ficaram muito atrás, batendo em 35,5 graus até às 16 horas. O Sistema Meteorológico do Paraná (Sismepar) prevê para hoje um dia parcialmente nublado com pancadas de chuva e trovoadas, o que não deve amenizar muito o clima. A mínima prevista é de 22 graus e máxima de 34.
O meteorologista Vilson Souza Ferreira, do Sismepar, explica que nessa época do ano há uma predominância de massas de ar quente vindas da região amazônica que, associadas a entradas constantes de frentes frias pela região sul, favorecem altas temperaturas. Portanto, quem estiver culpando o fenômeno El Ni¤o pelos dias quentes, pode ir mudando o discurso. ‘‘O El Ni¤o não tem influência’’. garante Ferreira.
Os dias quentes de novembro não são novidade para o Norte do Estado. Com exceção de 1985, quando os termômetros marcaram 39,2 graus, a temperatura vem se mantendo na faixa dos 33 a 36,8 graus. Apenas ano passado foi registrada uma queda, com 32,3 graus no dia mais quente de novembro, segundo dados fornecidos pelo técnico em agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Edmirson Borrozzin.
Com os dias quentes, o melhor a fazer é se prevenir para evitar doenças. Quem mais sofre com as temperaturas altas são as crianças. A médica e coordenadora regional das Unidades Básicas de Saúde da Zona Rural, Marilda Kohatsu, informa que os casos mais comuns são de diarréia e vômitos, que podem provocar desidratação.
Ela orienta: é preciso dar bastante líquido às crianças, em pequenos intervalos de tempo (a água deve ser fervida ou filtrada). Os alimentos devem ser frescos, de origem conhecida e sempre bem lavados. Os banhos precisam ser frequentes (de dois a três por dia). É recomendável que as crianças usem roupas leves.
Marilda Kohatsu lembra às mães que, ao ir com as crianças na piscina, não se esqueçam do protetor solar e nunca as exponham ao Sol no horário das 10 às 16 horas. Em caso de diarréia, vômitos ou febre, deve-se procurar um médico. ‘‘O grande problema da diarréia e vômito é a desidratação, que pode levar à morte’’, diz a médica. Ela informa que, por enquanto, os postos de saúde não registraram aumento de doenças decorrentes do verão. ‘‘Faz pouco tempo que estamos tendo dias quentes, mas a tendência é que as consequências do verão comecem a aparecer nas próximas semanas.’’

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