Nem metade das cidades atingem meta da rubéola
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
A pouco mais de um mês do encerramento da campanha de imunização contra a rubéola, apenas 48% dos municípios paranaenses já alcançaram ou superaram a meta de 95% da população de 20 a 39 anos vacinada. O índice de imunização no Estado registrado ontem pelo Data Sus (sistema de banco de dados do Ministério da Saúde) é de 87,14% do público-alvo imunizado.
Segundo o superintendente em vigilância em saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), José Lúcio dos Santos, o Estado ainda está longe da meta de 95% definida pelo Ministério da Saúde. Alguns municípios registram taxas de apenas 60% da cobertura vacinal. Nestes locais a campanha é intensificada.
O superintendente explica que, mesmo com índices já alcançados em algumas regionais, municípios integrantes podem não ter cumprido a meta. Desta forma, a Sesa procura alcançar o cálculo de homogeneidade, em que todas as cidades da regional cheguem aos 95%. Quando o cálculo é alcançado, a campanha no município é encerrada.
Em relação ao cumprimento das metas em determinadas regiões, Santos também considera regionais mais populosas, como Londrina, Maringá, Região Metropolitana de Curitiba e Ponta Grossa, que possuem mais habitantes e consequentemente maior público a ser vacinado.
Porém, a principal dificuldade apontada pelo superintendente em alcançar a meta é o fator cultural. O público-alvo da vacinação não tem o costume de se vacinar e ainda tem a idéia de que o procedimento é coisa para crianças. Essa postura é muito forte, principalmente, entre os homens, público principal da vacinação. "Os idosos estão mais conscientes, todo ano se vacinam contra a gripe, e as mulheres também são mais habituadas aos cuidados com a saúde", pondera.
Embora o Estado ainda esteja longe da meta de 95%, houve crescimento no índice de imunização nos últimos meses. Em setembro deste ano, no final da primeira fase da campanha, o Paraná registrava 79,76% de pessoas imunizadas. Segundo a Sesa, esse aumento das vacinações deve-se à continuidade da campanha, que conta com trabalhos específicos nas 22 regionais de saúde paranaenses.
Além da disponibilização da vacina em todas unidades de saúde do Estado, Santos destaca a busca ativa para as vacinações, em que agentes de saúde se deslocam a locais com grande concentração de pessoas. "Só vamos atingir a meta indo onde as pessoas estão, empresas, locais de trabalho, rodoviárias, shoppings", afirma.
A vacinação é a única forma de evitar a circulação do vírus que provoca a síndrome da rubéola congênita e possibilita o nascimento de crianças com problemas se a gestante for portadora. "Precisamos de consciência de que ela é parte de uma grande corrente humana de bloqueio da circulação do vírus", afirma o superintendente. A campanha encerra no dia 15 de dezembro e a vacina está disponível em todas as unidades de saúde. No caso de dúvidas, devem ser procuradas as secretarias municipais de Saúde.


