Ligando a Rua Justino Araújo Vilela à Doutor Gilney Carneiro Leal, a Rua Mario Garcia Theodoro, no Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul de Londrina), é mais uma das inúmeras ruas da cidade batizada com o nome de um falecido morador. É uma rua bem arborizada, asfalto em bom estado de conservação, calçadas limpas, casas simples, mas bem cuidadas e de bom aspecto. Além disso, nos seus cerca de 300 metros de extensão, ela tem um orelhão, duas igrejas evangélicas e uma escola municipal.
E quem foi Mario Garcia Theodoro para merecer tal homenagem e estar, lado a lado, com pessoas tão importantes como Justino Araújo Vilela, grande líder da cafeicultura paranaense, e Gilney Carneiro Leal, advogado de renome na cidade? ''Não tenho nem idéia de quem foi, mas o nome é bonito. E, se deram o nome à rua, alguma importância deve ter tido'', respondeu Maria do Carmo Alves Isabel, moradora do número 118 da rua. No número 218, o desconhecimento só mudou de endereço: ''Não sei quem é esse Mario, ele tá vivo ou morto?'', respondeu Carina Nascimento da Silva.
A escola, claro, lá eles devem saber. ''Eu não me lembro, mas vamos na biblioteca consultar o livro das personalidades de Londrina'', respondeu uma funcionária da Escola Municipal Irene Aparecida da Silva. O livro não foi encontrado. A bibliotecária Joselen Reina Amarins se desculpa pela inexperiência no cargo e passa a folhear dois livros com nomes de ruas. Nada, nem sinal do Mario Garcia Theodoro. Acessaram a internet e... Cadê o homem?
Sem resposta, a merendeira Ana Cléia Martins arrisca um palpite: ''Acho que ele foi um agricultor que deu muito sangue pela nossa terra.'' Sem muita convicção, a bibliotecária Joselen pergunta: ''Será que ele é parente dos Garcia da Viação Garcia?''. Já a professora Rosa Maria Santos e Souza aposta que ''com certeza não foi um homem comum, como um lavrador, um operário''. Para ela, ''saber quem é a pessoa e qual a sua história faz com que as crianças pensem também em ser lembradas futuramente, com certeza os professores da 3 série vão correr atrás desse assunto.''
Quem sabe se da igreja não vem uma luz? Na porta da Igreja Adventista do Sétimo Dia, o diretor de grupo Valdemir Pereira Meireles ignora completamente o assunto, mas, estimulado a dar um chute, chutou pra fora: ''Mario Garcia Theodoro... Tem a ver com o Marechal Theodoro?'' Se confundiu Theodoro com Deodoro, Valdemir tem uma certeza: ''Esse Mario deve ter sido importante porque pobre só dá nome em viela.''
No número 88 da rua, Claudemir Valentim também não sabe nada, mas fiel ao princípio dominante no bairro, de que só gente importante dá nome a rua, acredita que Mario Garcia Theodoro tenha sido ''um médico, um clínico geral!'' Na incerteza, apontou alguém que vinha subindo a rua: ''O seu Abel com certeza deve saber.''
''Eu sei quem foi, mas não me lembro. Mario Garcia Theodoro... É da família... Ah, lembrei: Era um leiteiro, a leiteria dele ficava ali perto do centro comunitário, na subida ali da entrada do conjunto que até se chamava 'subida do leiteiro'. Às vezes eu pousava aqui com o caminhão carregado de porco pra descarregar no frigorífico Siam. O Mario leiteiro era um homem muito bom'', destacou Abel Bispo de Roma, 72 anos, com a certeza de um príncipe da Igreja Católica.
Rosangela de Melo Moreira mora no Jamile Dequech há 16 anos. Ela não sabe e nem nunca procurou saber quem foi Mario Garcia Theodoro. Mas diz que agora quer saber. Olhando desconfiada perguntou: ''E você, você deve saber quem foi, não vai contar pra mim?'' Claro, Rosangela, agora dá pra contar: Mario Garcia Theodoro não foi nem médico nem leiteiro: foi ''botequineiro.'' Antes disso, foi viajante de remédios e campeão paranaense de futebol amador em 1967, como presidente do Corinthians Londrinense. Como dono de boteco ficou famoso na noite londrinense como Tio Mario. Como sei tudo isso? Oras, ele era meu pai.

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