O trabalho no restaurante de Arnaldo Falanca, localizado na Avenida Maringá (Área Central), não termina quando o último cliente vai embora. Antes de encerrar o expediente, é preciso retirar uma a uma as 30 lâmpadas que iluminam a área externa. Não é nenhum capricho, mas uma forma de se defender da insegurança em que a avenida está mergulhada.
Atrativa para comerciantes e empresários, a Maringá que vem ganhando novos bares, restaurantes, lojas, escolas e até igrejas também se tornou um chamariz para ladrões. As lâmpadas parecem ser a 'bola da vez'. Anteontem, Dorothy Fraccalvieri, dona de uma escola de línguas, registrou queixa no 1º Distrito Policial (DP) - responsável pela porção central da avenida - depois que teve uma luminária furtada. ''Foi o segundo domingo consecutivo em que isso aconteceu. Eu tinha um outro tipo de refletor, mais caro, e resolvi substituir por esse. Mal havia trocado, foi levado de novo'', contou.
O prejuízo causado pelos dois furtos ficou em torno de R$ 400,00. Pode parecer pouco diante de outros crimes, mas é bom lembrar que o brasileiro já paga inúmeros encargos para abrir e manter qualquer negócio, inclusive um estabelecimento de ensino. ''É um desestímulo para trabalhar. Quando é para te multar por uma calçada rebaixada, por exemplo, o poder público é de uma precisão incrível. Mas na hora de garantir a segurança, o abandono é geral'', desabafou a professora. Alunos também tiveram carros arrombados na frente da escola.
Antes de incorporar a remoção de lâmpadas às tarefas diárias, Arnaldo Falanca também sofreu a decepção de ter o patrimônio lesado. Só neste ano, segundo ele, as 30 luminárias foram furtadas cinco vezes. ''Se você considerar que cada lâmpada custa, em média R$ 10,00, nós tivemos prejuízo de aproximadamente R$ 1,5 mil. Quer dizer, além de colaborar com o governo, temos também que ajudar os sem-lâmpada'', ironizou. Em outras duas ocasiões, ladrões tentaram entrar no restaurante de madrugada, sem sucesso. Falanca lembrou que a pizzaria vizinha teve menos sorte e mais prejuízo: arrombada, teve televisores de plasma furtados.
O clamor de quase todas as vítimas, que já têm um alto custo com segurança privada, é o mesmo: mais policiamento na avenida. ''Sei que entre todos os crimes, este (furto de lâmpadas) não é o mais grave, mas é algo que tende a aumentar se nada for feito. Seria bom que uma viatura policial ao menos passasse pela avenida algumas vezes, para intimidar os ladrões. Raramente você vê uma'', cobrou.
O relações públicas do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente Ricardo Eguedis, alegou que ''há policiamento 24 horas nas ruas, inclusive na Avenida Maringá, e se ninguém vê as viaturas de madrugada é porque os estabelecimentos já estão fechados''. Sobre os furtos de lâmpadas, disse acreditar que são cometidos por pessoas desocupadas, muitas vezes para comprar drogas. ''Quando eles acham o momento oportuno, praticam o crime. São rejeitados sociais, um problema que não tem origem na polícia'', afirmou.
O delegado do 1º DP, José Arnaldo Peron, disse que não tem conhecimento de que esteja havendo um grande número de furtos na Maringá. ''Se tem, não estão denunciando. É preciso haver registro dos crimes para focarmos as investigações''.

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