A movimentação de dinheiro em igrejas de diversas denominações tem atraído a cobiça dos assaltantes. Segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp), não há estatísticas específicas sobre roubos a templos e igrejas, mas o titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, Luiz Carlos de Oliveira, confirma que há casos sendo investigados."Tivemos cerca de quatro roubos a pastores nos últimos meses", conta.
"O que atrai o ladrão é a possibilidade de haver dinheiro", explica. Entre os últimos casos atendidos pela delegacia está o assalto à Comunhão Cristã Abba. A igreja foi assaltada no dia 6 de outubro por uma dupla de ladrões. Os criminosos renderam o segurança e levaram cerca de R$ 15 mil em dinheiro. O pastor responsável pela igreja foi procurado pela reportagem, mas não estava disponível para entrevistas.
Em outro caso, a casa de um pastor foi invadida por ladrões que renderam um dos filhos do religioso. Os assaltantes deixaram a residência depois de persuadir a vítima a entregar o dinheiro da igreja. O delegado não soube informar o total roubado. "Até agora, não tivemos grandes avanços nessas investigações", informa Oliveira.
"Quem lida com dinheiro tem que estar sempre atento à necessidade de segredo em torno dessa operação e de ter uma equipe de segurança que tenha credibilidade", recomenda o delegado. Segundo ele, muitas vezes os assaltantes atacam igrejas quando têm conhecimento sobre a movimentação do dinheiro. "Eles (os ladrões) estão sempre atrás da informação privilegiada", diz.
Oliveira também recomenda que os cuidados com a segurança sejam redobrados em datas em que, sabidamente, há movimentação de valores altos em dinheiro. "Festas, dia de pagamento de dízimo são muito visados", avalia.
Nas igrejas, a preocupação com segurança está presente em diversas paróquias. Na Igreja Bom Jesus, no centro de Curitiba, funcionários da paróquia acompanham atentamente a movimentação no pátio e no interior do templo. "A maior preocupação é com o bem-estar dos fiéis", explica Frei Délcio Lorenzetti. Segundo o pároco, há pelo menos oito anos a igreja não é alvo de assaltantes. "Mas há casos de pessoas quem vêm rezar e têm a bolsa ou sacola roubadas", conta.
Segundo Frei Délcio, não há um controle de quantos casos de furtos acontecem na igreja. "É difícil de acompanhar, até porque nem todo mundo nos comunica", informa. "Nossos funcionários ficam atentos à movimentação tanto dentro quanto fora da igreja durante todo o período em que ela fica aberta", explica o frei. A Igreja Bom Jesus fica aberta ao público das 6h30 às 20 horas.
Outra igreja que investiu na segurança é a Catedral Basílica de Curitiba. Seguranças acompanham a movimentação dos fiéis das 7 às 19 horas, enquanto as portas estão abertas. Segundo a administração, o trabalho dos seguranças é garantir a tranqüilidade de quem está rezando.

mockup