'Nem fui atrás, de tão pouco que era'
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sábado, 15 de maio de 2010
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Pelos bairros de Londrina são muitos os exemplos de crianças e jovens que estão longe da escola e que, portanto, não têm direito ao Bolsa Família. A dona de casa Rogéria Lúcia de Oliveira, que mora com os três filhos e a mãe no Jardim Interlagos (Zona Leste), recebeu por aproximadamente dois anos o valor de R$ 30, mas no ano retrasado o benefício foi cortado, segundo ela sem justificativa. ''Nem fui atrás, de tão pouco que era.''
No meio do ano passado o filho do meio de Rogéria, de 10 anos, parou de estudar por causa de conflitos no colégio e por falta de dinheiro para o passe. Como a mãe não conseguiu vaga na escola próxima da residência da família, o garoto continua longe dos livros e cadernos. ''Ele passa o dia em frente à TV e jogando videogame, mas pelo menos fica dentro de casa. Acho que ficar na rua é pior'', argumenta Rogéria. Segundo ela, a família vive com a aposentadoria de um salário mínimo de sua mãe.
Na Vila Fraternidade, na mesma região, a hoje dona de casa Crislaine Camargo Rosa, de 18 anos, retrata uma realidade comum entre os adolescentes brasileiros. No ano retrasado ela engravidou e abandonou a escola antes de terminar a 8 série, ''por vergonha da barriga''. A mãe sempre enfrentava problemas para receber o benefício regularmente, porque outro dos filhos, de 11 anos, se recusa a frequentar o colégio. Agora a família perdeu o Bolsa Família, e vive da renda de R$ 50 semanais obtidas com as faxinas feitas pela matriarca. Crislaine, a filha de 1,4 ano e o companheiro vivem em residência separada.


