Nem a chuva impede homenagens de Finados
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quinta-feira, 02 de novembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Dizem que a morte é a única certeza da vida. Algo pelo qual esperamos, mas para o qual nunca estamos completamente preparados. Outra certeza é de que com a morte não vem o esquecimento, diferente do que muitos podem pensar. Ao contrário, a morte parece enaltecer o ser humano. Pelo menos é o que acontece a cada feriado de Finados. Nem mesmo a chuva torrencial que molhou Londrina no início da manhã de ontem foi suficiente para afastar amigos e parentes dos cemitérios, que permaneceram lotados.
Garoa fina e o casal Maria Celeste de Athayde e Bernardo Vicente termina de arrumar o túmulo dos pais dela, enterrados no cemitério Parque das Oliveiras (Zona Leste). Com a lápide enfeitada de flores coloridas e velas, eles descansam melhor depois das orações da filha e do genro.
A chuva que começa a ganhar força não espanta os aposentados, que estão casados há 52 anos. ''Visitamos papai e mamãe sempre no Dia das Mães, nos aniversários e em Finados'', disse Maria Celeste. ''Preferimos vir de manhã. Quanto antes cumprirmos nosso compromisso melhor'', completou Bernardo, que costuma frequentar os cemitérios ''desde que me entendo por gente''.
Ao redor, viúvas com seus terços em mãos, famílias inteiras carregadas de flores, jovens matando a saudade dos que já se foram. Entre eles, os noivos Roberlei Yamada e Monica Andrade. Logo pela manhã, eles visitaram o Parque das Oliveiras para rezar pelo avô dele, falecido há 13 anos.
''Ele morreu quando eu tinha 11 anos, éramos bastante amigos'', contou o rapaz, que costuma visitar a lápide do avô duas vezes por ano, em Finados e no aniversário dele. ''No resto do ano meus pais vêm cuidar das flores e acender velas.''
De lá eles partiriam para o Centro, onde visitariam os túmulos dos avós de Monica. ''Lembro deles com muito carinho por isso costumo ir aos domingos rezar por eles no cemitério'', declarou a moça, que sempre leva flores.
Ainda na Zona Leste, no cemitério Padre Anchieta, a chuva quase deu uma trégua para os familiares e amigos que prestavam homenagens aos mortos junto ao Cruzeiro. Quase. De cabeça baixa, com as mãos juntas buscando alcançar o divino ou apenas com o olhar fixo para as velas que queimavam, cada um orava como podia, debaixo dos guarda-chuvas.
Maria Ferreira de Oliveira era uma dessas pessoas. Depois de enfeitar com flores frescas os túmulos do pai, dos sogros e dos cunhados, parou em frente ao Cruzeiro ''para rezar pelas almas que precisam de oração'', explicou.
''Rezo aqui pelos meus avós e pelo meu irmão que não estão enterrados aqui'', assinalou a senhora que visita o cemitério o ano inteiro. ''Uma vez por mês é sagrado'', afirmou Maria. Ela sempre leva flores e velas.
No cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte), as barraquinhas de flores não venciam vender os tradicionais crisântemos. Em meio à lama e à chuva torrencial, diversos familiares prestaram suas homenagens ontem pela manhã. Por um momento, todos se agruparam debaixo do portão de entrada para se esconder da chuva, impedindo a passagem.
Mas não Osvaldo Pereira, que foi visitar o pai, falecido há 15 anos. Todo ano ele vai ao cemitério cuidar das flores e acender mais velas. ''Tem que vir mesmo, para limpar'', ressaltou. A cada dois meses ele visita a lápide e faz suas orações. ''Moro sozinho, por isso venho só. E não é por um chuvinha que vou abandonar tudo''.
Curitiba - Na capital do Estado, pancadas de chuva isoladas também não afastaram visitantes dos cemitérios. A movimentação foi intensa durante todo o dia. Só no Cemitério da Água Verde, cerca de 30 mil fiéis participaram pela manhã de uma missa campal, celebrada pelo arcebispo de Curitiba, dom Moacyr Vitti e pelo padre Reginaldo Manzotti. A Igreja Católica celebrou missas em outros 10 cemitérios. Também pela manhã, cerca de 700 pessoas acompanharam uma revoada de pombos e uma chuva de pétalas no Crematório Vaticano, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. (Colaborou Ellen Taborda)


